A investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master levou a cúpula do Supremo Tribunal Federal (STF) a discutir os desdobramentos do caso. Na noite da segunda-feira (09/03), o presidente da Corte, Edson Fachin, se reune com André Mendonça, relator do inquérito no tribunal, para tratar do avanço da apuração.
A reunião não constava na agenda oficial da presidência do STF. Além disso, ocorreu poucos dias depois de Mendonça autorizar a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que resultou na nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão que levou à nova etapa da investigação antecede o momento em que Fachin se reúne com Mendonça no Supremo.
Fachin se reúne com Mendonça após avanço da operação
A Polícia Federal executou a terceira fase da operação na quarta-feira (04/03). A investigação apura um esquema descrito pelas autoridades como bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Depois da prisão, as autoridades transferiram Vorcaro na última sexta-feira (06/03) para a Penitenciária Federal de Brasília. A medida ocorreu enquanto o inquérito conduzido pela Polícia Federal avançava sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.
Durante o mesmo dia da reunião, Fachin também conversou com outros ministros sobre os desdobramentos do caso. Entre eles esteve Alexandre de Moraes, vice-presidente da Corte.
Nos bastidores do tribunal, ministros demonstraram incômodo com a condução da investigação pela Polícia Federal. Além disso, surgiram cobranças internas para que a presidência do STF se manifeste sobre novos elementos revelados no inquérito.
reunião entre ministros do STF: mensagens atribuídas a Vorcaro ampliam debate no STF
Reportagem publicada pelo blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, divulgou prints de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a reportagem, os registros teriam sido enviados em 17 de novembro de 2025, poucas horas antes da primeira prisão do banqueiro. De acordo com a publicação, a perícia da Polícia Federal encontrou o material em celulares e dispositivos eletrônicos apreendidos durante a investigação.
Após a divulgação da reportagem, a comunicação do Supremo divulgou nota pública. No comunicado, Alexandre de Moraes afirmou que as mensagens atribuídas ao banqueiro não foram enviadas a ele.
Leia também:
OAB pede acesso ao material da investigação
Ainda na noite de segunda-feira, Fachin também se reuniu com a diretoria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). No encontro, os participantes discutiram o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo relatos da reunião, o presidente do STF afirmou que as apurações seguirão “doa a quem doer”, com o objetivo de preservar o funcionamento da Corte.
Ao final do encontro, o presidente da OAB, Beto Simonetti, afirmou que a entidade pretende solicitar acesso irrestrito ao material já produzido na investigação. Além disso, informou que a ordem pretende agendar uma reunião com o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.
Nesse contexto, o episódio em que Fachin se reúne com Mendonça ocorre no momento em que a investigação sobre o Banco Master começa a produzir reflexos políticos e jurídicos dentro do próprio Supremo Tribunal Federal. A nova prisão do banqueiro, a divulgação de mensagens atribuídas ao investigado e as discussões internas entre ministros indicam que o caso passou a mobilizar a cúpula da Corte e tende a influenciar os próximos desdobramentos da apuração.