Uma cooperação médica que durava décadas entre Kingston e Havana foi encerrada após decisão anunciada pelo governo jamaicano. Jamaica rompe acordo médico Cuba ao finalizar, no último dia (05/03), o acordo que permitia a atuação de brigadas médicas cubanas no sistema de saúde do país caribenho, em meio à crescente pressão dos Estados Unidos (EUA) contra as missões internacionais de saúde do governo cubano.
Com a ruptura, quase 300 profissionais cubanos que atuam na Jamaica devem deixar o país. Nesta terça-feira (10/03), o Ministério da Saúde e Bem-Estar da Jamaica pediu paciência à população e informou que adotará medidas de contingência para lidar com as lacunas deixadas pela saída dos médicos.
Jamaica rompe acordo médico em Cuba após pressão dos EUA
O governo jamaicano justificou o encerramento da parceria afirmando que os dois países não chegaram a um entendimento sobre os termos de um novo acordo de cooperação técnica. Segundo o Ministério das Relações Exteriores jamaicano, questões legais e trabalhistas tornaram inviável manter o formato anterior do contrato.
A chancelaria declarou que o país precisa cumprir suas próprias leis e convenções internacionais relacionadas ao trabalho. Assim, concluiu que manter a cooperação nos moldes anteriores seria incompatível com as normas vigentes.
Autoridades da Jamaica indicaram, no entanto, que a decisão não representa necessariamente o fim da cooperação com Cuba. O governo afirma que pretende discutir um novo formato de relação bilateral no setor de saúde.
O ministro da Saúde, Christopher Tufton, afirmou que o país apresentou ao embaixador cubano uma proposta para que médicos interessados permaneçam na ilha por meio de contratos diretos com o governo jamaicano.
“Não vemos o término como uma decisão de descontinuar a relação. Trata-se, na verdade, do formato dessa relação”, disse Tufton.
Pressão diplomática dos EUA sobre missões médicas
A decisão ocorre em meio à pressão do governo dos Estados Unidos contra o programa de cooperação médica internacional de Cuba. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acusa essas missões de configurarem “trabalho forçado” e “tráfico humano”.
Washington tem pressionado governos da América Latina e do Caribe a encerrar os acordos com as brigadas médicas cubanas. A campanha inclui a ameaça de restrições de vistos a autoridades associadas aos programas.
No ano anterior, líderes caribenhos se reuniram com autoridades norte-americanas para discutir o tema. Na ocasião, primeiros-ministros de Trinidad e Tobago e São Vicente e Granadinas disseram que abririam mão de seus vistos norte-americanos para manter a cooperação médica com Cuba.
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Reação de Cuba e impacto regional
O governo cubano reagiu à decisão da Jamaica e acusou os Estados Unidos de pressionar países a interromper programas de saúde que atendem populações vulneráveis.
O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou nas redes sociais que Washington estaria prejudicando serviços de saúde ao pressionar governos soberanos a encerrar acordos com médicos cubanos.
Enquanto isso, decisões semelhantes já ocorreram em outros países da região. Em Honduras, mais de 150 médicos cubanos deixaram o país após o cancelamento do acordo bilateral. Já a Guatemala anunciou em fevereiro de 2026 que retirará gradualmente sua brigada médica cubana.
Bahamas, Dominica e Antígua também informaram que avaliam revisar ou reestruturar seus acordos de cooperação com Havana.
Nesse contexto regional, a decisão que levou ao rompimento do acordo reforça uma disputa diplomática crescente em torno das brigadas médicas cubanas. Ao mesmo tempo, a saída dos profissionais coloca pressão imediata sobre sistemas de saúde locais — e o caso em que Jamaica rompe acordo médico em Cuba pode indicar novos rearranjos na cooperação médica no Caribe.