Operação contra bicheiro Rogério de Andrade prende policiais ligados ao esquema

A Operação contra policiais bicheiro prendeu suspeitos de integrar a segurança do contraventor Rogério de Andrade. A investigação aponta que policiais protegiam pontos do jogo do bicho na zona oeste do Rio e usavam influência para manter as atividades ilegais.
Rogério de Andrade durante audiência judicial ligada a investigação do jogo do bicho no Rio - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Rogério de Andrade, contraventor ligado ao jogo do bicho no Rio de Janeiro, é alvo de investigação que apura policiais atuando em sua segurança. - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) levou à prisão de suspeitos apontados como integrantes da segurança do bicheiro Rogério de Andrade na manhã desta terça-feira (10/03). A ação faz parte de uma Operação contra o bicheiro que apura a participação de agentes públicos na proteção de pontos de exploração do jogo do bicho na zona oeste da capital.

A ofensiva foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) com apoio das corregedorias das polícias Militar e Civil. Assim, os investigadores passaram a cumprir mandados contra policiais suspeitos de integrar o núcleo de segurança ligado ao contraventor.

A Justiça autorizou 20 mandados de prisão preventiva, incluindo uma ordem contra Rogério de Andrade. No entanto, o contraventor permanece detido desde o final de 2024 no Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

Nas primeiras horas da ofensiva, entre 13 e 14 suspeitos acabaram presos, conforme atualizações divulgadas pelas autoridades. Até agora, o Ministério Público não divulgou oficialmente a identidade dos investigados.

Operação contra bicheiro mira estrutura de proteção

Segundo o Ministério Público, o grupo denunciado atuava diretamente na proteção das atividades do jogo do bicho. Além disso, os investigados garantiam a segurança de pontos de exploração ilegal instalados na região de Bangu, na zona oeste do Rio.

Entre os denunciados estão 18 policiais militares e penais, da ativa e da reserva, além de um policial civil aposentado. De acordo com a denúncia, esse último teria sido recrutado pelo esquema ainda durante o exercício do cargo.

As investigações também indicam que os agentes utilizavam a posição na segurança pública para assegurar o funcionamento das operações ilegais. Além disso, a acusação aponta práticas de corrupção relacionadas à proteção dessas atividades.

Operação contra bicheiro Rogério de Andrade: policiais da ativa estão entre investigados

Entre os alvos da investigação aparecem 16 policiais militares da ativa, incluindo dez subtenentes. Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam uma carabina equipada com silenciador com um primeiro-sargento da Polícia Militar.

Enquanto isso, equipes do Gaeco executaram mandados em diferentes cidades da região metropolitana do Rio. As diligências ocorreram no Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Mangaratiba, Nilópolis e São João de Meriti.

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Crimes apontados pela investigação

Os denunciados deverão responder por constituição de organização criminosa armada, agravada pela participação de servidores públicos. Além disso, o Ministério Público também atribui aos investigados os crimes de corrupção ativa e passiva.

Segundo os promotores responsáveis pelo caso, a operação contra o bicheiro busca desarticular a rede que garantia proteção armada às atividades ilegais associadas ao jogo do bicho.

Nesse contexto, os investigadores afirmam que o grupo não atuava apenas na segurança pessoal do contraventor. Na prática, os agentes também garantiam o funcionamento contínuo dos pontos de exploração da contravenção na zona oeste da cidade.

Assim, a investigação amplia as apurações sobre a estrutura que sustentava o jogo do bicho ligado a Rogério de Andrade. Além disso, as autoridades indicam que essa rede de proteção continuava ativa mesmo após a transferência do contraventor para um presídio federal.

Foto de Jussier Lucas.

Jussier Lucas.

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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