A Justiça do Rio de Janeiro expediu, na última quinta-feira (05/03), um mandado de prisão com validade de 16 anos contra Bruno Fernandes das Dores de Souza, condenado pelo homicídio de Eliza Samudio, após a revogação da liberdade condicional concedida ao ex-atleta em 2023. O ex-goleiro Bruno é considerado foragido após descumprir uma das condições do benefício ao viajar para o Acre sem autorização judicial, conforme informou o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) na terça-feira (10/03).
De acordo com o processo, Bruno deixou o estado do Rio de Janeiro em 15 de fevereiro para jogar pelo Vasco-AC, embora estivesse proibido de sair do estado sem autorização da Justiça. A Vara de Execuções Penais determinou então o retorno ao regime semiaberto.
Viagem ao Acre levou à perda do benefício
Pelas regras impostas no livramento condicional, Bruno estava proibido de sair do estado do Rio de Janeiro sem autorização prévia da Justiça. A viagem ao Acre foi considerada descumprimento direto dessa condição.
Três dias depois de chegar ao estado, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) regularizou o jogador no Boletim Informativo Diário (BID). O registro confirmou sua participação no elenco do Vasco-AC.
Mandado de prisão e condição de ex-goleiro Bruno considerado foragido
Na decisão, o juiz Rafael Estrela Nóbrega, da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, avaliou a conduta de Bruno. Segundo ele, houve “descaso com as condições impostas para o cumprimento do benefício”.
Com base nessa avaliação, a Justiça revogou o livramento condicional e determinou o retorno de Bruno ao regime semiaberto.
O mandado expedido no processo tem validade de 16 anos, prazo registrado na ordem judicial.
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Defesa afirma que vai recorrer
A defesa afirmou ao g1 que orientou Bruno a não se apresentar neste momento e informou que pretende recorrer da decisão judicial.
Segundo a advogada Mariana Migliorini, a orientação é aguardar a análise do recurso antes de qualquer apresentação à Justiça.
“Se ele se apresentar agora, pode acabar ficando em regime fechado como se fosse semiaberto, o que entendemos ser uma medida irregular”, afirmou Migliorini.
A advogada afirmou ainda que Bruno vinha cumprindo regularmente as condições impostas desde a concessão da liberdade condicional.
Segundo a defesa, durante cerca de três anos ele compareceu ao patronato quando solicitado, assinou regularmente, manteve o endereço atualizado e seguiu as exigências estabelecidas pela Justiça.
A polícia prendeu Bruno em 2010 pelo assassinato de Eliza Samudio. Em 2013, a Justiça o condenou a mais de 22 anos de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado.
A investigação concluiu que Bruno assassinou Eliza após ela cobrar o reconhecimento de paternidade do filho que teve com o ex-jogador. Bruninho Samudio hoje é goleiro das categorias de base do Botafogo.
Bruno ficou preso em regime fechado de 2010 a 2019, quando progrediu para o semiaberto. Em 2023, recebeu liberdade condicional.
A Justiça revogou o benefício e classificou Bruno como foragido. A decisão recolocou o caso no estágio de execução penal, com um mandado de prisão válido por 16 anos.