A CPI do Banco Master entrou em nova fase institucional nesta quarta-feira (11/03) após o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarar suspeição por motivo de foro íntimo para relatar o mandado de segurança que pede a instalação da comissão na Câmara dos Deputados. Com a decisão, o processo será redistribuído por sorteio entre os ministros da Corte.
O pedido judicial sustenta que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria cometido “omissão inconstitucional” ao não dar andamento à criação da CPI do Banco Master. Parlamentares defendem que a comissão investigue a relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), tema que ganhou peso no debate político nas últimas semanas.
Na decisão, Toffoli citou o artigo 145, §1º, do Código de Processo Civil, que permite ao magistrado declarar suspeição por motivo de foro íntimo sem necessidade de apresentar justificativas públicas. O ministro determinou o envio do processo à Secretaria Judiciária do STF para que ocorra nova distribuição do caso.
CPI do Banco Master e a mudança de postura no Supremo
A decisão marca uma mudança relevante na postura de Dias Toffoli no episódio. Até recentemente, o ministro vinha afirmando que não havia razões para se declarar impedido ou suspeito em processos ligados ao caso Banco Master.
O tema ganhou repercussão institucional depois que Toffoli foi responsável por processos relacionados ao banco no STF entre novembro e fevereiro. Em 12 de fevereiro, o ministro deixou a relatoria do caso após reunião entre integrantes da Corte.
CPI do Banco Master envolve disputa entre Câmara e STF
A discussão sobre a CPI do Banco Master ocorre em meio à investigação conhecida como operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo operações relacionadas ao banco. O processo judicial levado ao Supremo questiona diretamente a decisão política da Câmara de não instalar a comissão.
Outro elemento que ampliou o debate institucional foi um relatório da Polícia Federal encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. O documento apontou menções ao nome de Toffoli em dados telemáticos encontrados no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
investigação parlamentar sobre o Banco Master
Com a suspeição declarada, caberá agora a outro ministro do STF analisar se a Corte deve ou não determinar a instalação da CPI do Banco Master. A decisão pode definir os limites da atuação do Judiciário sobre atos internos do Legislativo e influenciar o rumo político das investigações envolvendo o banco.
A nova relatoria também passa a ser observada no contexto de outros processos relacionados ao caso, incluindo decisões ligadas à operação Compliance Zero e aos desdobramentos judiciais envolvendo Daniel Vorcaro. O desfecho poderá indicar até onde o Supremo está disposto a intervir em disputas parlamentares que envolvem investigações financeiras e interesses políticos.