A guerra entre o Irã e os Estados Unidos (EUA), iniciada no dia 28 de fevereiro após ataques conduzidos pelos EUA e Israel contra alvos no território iraniano, passou a produzir efeitos também no futebol internacional. Nesse cen;ario, a possibilidade do Irã ficar fora da Copa do Mundo de 2026 passou a ser discutida nesta quarta-feira (11/03), quando o ministro do Esporte do país, Ahmad Donyamali, afirmou à televisão estatal que a seleção iraniana não participará da Copa do Mundo, embora a decisão ainda não tenha sido formalizada junto à FIFA.
Segundo Donyamali, a morte do líder supremo Ali Khamenei e a sequência de confrontos militares tornam inviável a presença da delegação iraniana em um torneio que terá jogos em solo americano.
“Sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo”, afirmou o ministro ao justificar a posição do governo.
Possibilidade do Irã fora da Copa pressiona decisões da FIFA
A declaração abre um cenário de incerteza para a Federação Internacional de Futebol (FIFA), que organiza o Mundial de 2026. Até o momento, porém, a entidade não confirmou ter recebido comunicação formal da federação iraniana sobre eventual desistência.
A seleção do Irã havia garantido vaga ao liderar seu grupo nas Eliminatórias Asiáticas e foi sorteada no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Além disso, as três partidas da equipe estavam previstas para ocorrer em cidades dos Estados Unidos.
O torneio será disputado entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, com sedes distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá. No planejamento inicial da competição, os jogos da seleção iraniana ocorreriam em Inglewood, na Califórnia, e em Seattle.
Irã fora da Copa: guerra amplia tensão política no torneio
A discussão sobre Irã fora da Copa surge em meio à escalada do conflito, quando forças dos EUA e de Israel atingiram instalações militares e estratégicas do Irã. O líder supremo Ali Khamenei morreu no primeiro dia da ofensiva.
O confronto provocou retaliações iranianas contra bases americanas e aliados na região do Golfo. Além das consequências militares, o conflito ampliou o risco de impactos econômicos globais, sobretudo devido à instabilidade em rotas estratégicas de energia.
Nesse contexto, autoridades iranianas afirmam que a segurança da delegação e das equipes de apoio não estaria garantida durante o torneio. Além disso, o ministro do Esporte citou perdas humanas e a continuidade das operações militares como fatores que inviabilizam a participação.
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Reação internacional e cenário regulatório
Enquanto Teerã sinaliza a retirada, dirigentes do futebol internacional buscam preservar a presença da seleção no Mundial. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, informou ter discutido o tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo Infantino, Trump afirmou que a seleção iraniana é bem-vinda para disputar a competição em território americano. A declaração ocorre, portanto, em meio às discussões sobre segurança e logística para delegações estrangeiras durante o torneio.
Caso a saída seja formalizada, o regulamento da FIFA prevê multa mínima de 250 mil francos suíços para seleções que abandonem a competição. Além disso, a entidade também pode decidir se substitui o Irã por outra seleção ou se mantém o grupo com três equipes.