O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, pode ter sofrido ferimentos leves nas pernas durante os bombardeios iniciais da guerra contra Estados Unidos e Israel. A agência Reuters divulgou a informação nesta quarta-feira (11/03) após ouvir uma autoridade israelense com acesso a avaliações de inteligência sobre a ofensiva militar iniciada no fim de fevereiro.
Segundo essa fonte, Mojtaba estava entre os alvos do ataque aéreo de 28 de fevereiro. Na ocasião, forças dos Estados Unidos e de Israel conduziram a operação que matou o então líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, e abriu uma nova fase de confronto direto envolvendo Teerã.
Novo líder supremo do Irã e o relato de inteligência
De acordo com a avaliação israelense, Mojtaba Khamenei sofreu ferimentos durante os primeiros bombardeios, embora as fontes descrevam as lesões como leves.
Desde o início da guerra, o novo líder não apareceu em público nem realizou pronunciamentos transmitidos pela televisão estatal iraniana. Além disso, a ausência ocorreu mesmo depois de sua eleição para o cargo máximo do regime religioso no último domingo (08/03).
A Assembleia de Especialistas, órgão responsável por escolher o líder supremo, confirmou sua escolha 8 dias após a morte de Ali Khamenei. Ainda assim, a falta de aparições públicas ampliou questionamentos entre analistas e governos estrangeiros sobre a real condição do novo líder.
Governo iraniano apresenta versão diferente
Autoridades ligadas ao governo iraniano contestaram o relato divulgado por fontes israelenses.
O conselheiro do regime Yusef Pezeshkian, filho do presidente Masoud Pezeshkian, afirmou que Mojtaba Khamenei permanece fora de risco.
“Ouvi a notícia de que Mojtaba Khamenei foi ferido. Perguntei a amigos que têm contatos e me disseram que, graças a Deus, ele está são e salvo”, escreveu em mensagem publicada na rede social Telegram.
Além disso, o The New York Times relatou que Khamenei permanece em um local de segurança máxima. Segundo três autoridades iranianas citadas pelo jornal, o governo limitou sua comunicação para evitar rastreamento eletrônico por forças militares dos Estados Unidos e de Israel.
Indícios contraditórios surgem dentro do próprio Irã
Apesar das declarações oficiais, alguns sinais divulgados por meios de comunicação ligados ao governo iraniano mantiveram dúvidas sobre a existência de ferimentos.
A televisão estatal descreveu Mojtaba recentemente como “veterano de guerra ferido”. Ao mesmo tempo, a organização religiosa Komiteh Emdad, instituição de caridade associada ao Estado, utilizou a expressão persa “janbaz jang”, termo normalmente aplicado a combatentes que sofreram lesões em conflito.
Até agora, autoridades iranianas não divulgaram informações médicas ou detalhes sobre a possível extensão dos ferimentos.
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Khamenei assumiu o cargo poucos dias após a morte do pai, que comandou o sistema político e religioso iraniano por mais de três décadas.
Ao mesmo tempo, o país enfrenta uma guerra aberta com Israel e Estados Unidos. Fontes iranianas ouvidas pela Reuters afirmam que a nova liderança pode adotar uma política externa mais agressiva e intensificar a repressão interna.
Além disso, autoridades estrangeiras elevaram o tom das declarações. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que qualquer líder indicado pela atual liderança iraniana será tratado como alvo militar.
Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Mojtaba “não durará muito” sem aprovação americana.
Dessa forma, o novo líder supremo do Irã inicia seu mandato sob confronto militar direto e sob uma disputa pública de narrativas sobre seu próprio estado de saúde. Enquanto serviços de inteligência israelenses apontam ferimentos decorrentes dos bombardeios iniciais, autoridades iranianas insistem que o líder permanece seguro, um contraste que amplia a tensão política e informacional no atual conflito do Oriente Médio.