A guerra no Oriente Médio passou a afetar diretamente o mercado global de energia. Diante da escalada militar na região, a ameaça do Irã ao petróleo se intensificou nesta quarta-feira (11).. Autoridades militares iranianas alertaram que o barril pode alcançar US$ 200 se o conflito continuar comprometendo o fluxo de petróleo na região.
Além disso, o alerta surgiu após novos ataques contra embarcações comerciais no Golfo Pérsico. Ao mesmo tempo, cresce o risco de interrupção da navegação no Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. Por isso, a região se tornou um dos pontos mais sensíveis da guerra.
Ameaça do Irã ao petróleo amplia tensão no mercado
O porta-voz do comando militar iraniano Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaqari, fez o alerta em declaração dirigida aos Estados Unidos. Segundo ele, a escalada militar pode provocar uma forte disparada nos preços da energia.
“Preparem-se para que o petróleo chegue a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional”, afirmou.
Além disso, o porta-voz declarou que o Irã não permitirá o envio de petróleo para Estados Unidos, Israel ou aliados. Nesse cenário, navios ligados a esses países podem se tornar alvos militares.
Ataques a navios elevam risco no Estreito de Ormuz
No mesmo dia, três navios mercantes sofreram ataques no Golfo Pérsico, segundo agências de segurança marítima. Com os novos incidentes, o total chega a 14 embarcações danificadas desde o início da guerra.
Um cargueiro de bandeira tailandesa pegou fogo após uma explosão a bordo. Por isso, a tripulação precisou abandonar a embarcação. Além disso, outras duas embarcações sofreram danos: um porta-contêineres japonês e um navio registrado nas Ilhas Marshall.
Fontes ouvidas por agências internacionais também afirmam que minas foram posicionadas no Estreito de Ormuz. Assim, aumenta a incerteza sobre a navegação comercial em uma das rotas energéticas mais estratégicas do planeta.
Reservas globais são liberadas para conter preços
Diante da tensão no mercado energético, os países da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram liberar 400 milhões de barris de reservas estratégicas.
A medida representa a maior intervenção desse tipo já realizada. Dessa forma, os governos tentam ampliar temporariamente a oferta global e reduzir o impacto da guerra sobre combustíveis e inflação.
Mesmo assim, os mercados continuam voláteis. O petróleo Brent, referência internacional, era negociado perto de US$ 91 por barril. No início da semana, porém, o preço chegou perto de US$ 120.
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Guerra segue sem prazo definido
Enquanto investidores avaliam o risco de interrupção no fornecimento de energia, as principais potências envolvidas indicam que o conflito pode se prolongar.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista que “praticamente não há mais nada para atingir” no Irã. Além disso, sugeriu que poderia encerrar a guerra quando quiser.
Já o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que a operação militar continuará “sem limite de tempo” até que os objetivos estratégicos sejam alcançados.
Nesse contexto, analistas avaliam que o controle das rotas de exportação de energia se tornou um elemento central da disputa. Assim, a ameaça do Irã ao petróleo passa a funcionar como instrumento de pressão econômica dentro da guerra. Consequentemente, a crise pode afetar inflação, preços de combustíveis e estabilidade energética em várias regiões do mundo.