Uma operação contra crimes eleitorais e lavagem de dinheiro levou à prisão de vereadores de Morada Nova (CE) nesta quinta-feira (12/03), durante a Operação Traditori, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO-CE). A investigação apura financiamento ilegal de campanhas nas eleições municipais de 2024 com recursos ligados a uma facção criminosa.
Ao todo, a Justiça Eleitoral expediu 16 mandados de prisão preventiva, incluindo cinco contra parlamentares do município, além de 30 mandados de busca e apreensão. A 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza autorizou as ordens, que as equipes cumpriram em diversos locais ligados aos investigados.
Vereadores de Morada Nova e o esquema investigado
Segundo a Polícia Federal (PF), que integra a força-tarefa, a investigação aponta que uma facção criminosa teria usado recursos ilícitos para financiar campanhas eleitorais no município. Em contrapartida, agentes públicos investigados teriam oferecido vantagens políticas e institucionais ao grupo criminoso.
A apuração começou após compartilhamento de dados da Delegacia de Polícia Civil de Morada Nova e do Departamento de Polícia do Interior Sul (DPI Sul). As informações indicaram um esquema de movimentação e ocultação de dinheiro de origem ilícita, posteriormente direcionado ao financiamento eleitoral.
Operação contra vereadores de Morada Nova cumpre mandados em vários municípios
As ações ocorreram nos municípios cearenses de Morada Nova, Fortaleza, Chorozinho, Limoeiro do Norte e Pedra Branca, além da cidade de São Paulo (SP). As buscas atingiram residências, empresas e também a sede da Câmara Municipal.
Entre os crimes investigados estão lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas e crimes eleitorais. Conforme a Polícia Federal, a investigação identificou um esquema estruturado para ocultar recursos ilícitos e inseri-los no financiamento de campanhas.
A Justiça também determinou afastamento cautelar de agentes públicos de suas funções, além do sequestro e bloqueio de bens e valores dos investigados. Segundo a PF, as medidas buscam interromper o fluxo financeiro da organização criminosa e garantir a continuidade da investigação.
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Após a operação, a Câmara Municipal de Morada Nova suspendeu as atividades legislativas e administrativas nesta quinta-feira (12). O prédio do Legislativo foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a Câmara informou que cancelou os eventos e sessões previstos para a data. O Legislativo municipal é composto por 15 vereadores, mas a Polícia Federal não divulgou os nomes dos parlamentares presos.
O caso indica que a investigação pode ampliar o debate sobre interferência do crime organizado em disputas eleitorais municipais, especialmente quando recursos ilícitos passam a financiar campanhas e influenciar decisões políticas locais.