CPI do Banco Master: Vieira dá prazo a Alcolumbre e ameaça recorrer ao STF

A CPI do Banco Master entrou em disputa política após o senador Alessandro Vieira dar prazo de até duas semanas para o Senado analisar o pedido. Caso não haja decisão, ele afirma que recorrerá ao STF para garantir a instalação da comissão.
Senador Alessandro Vieira fala no plenário do Senado sobre CPI do Banco Master
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou pedido de criação da CPI do Banco Master no Senado. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master entrou em um novo estágio de tensão política nesta quinta-feira (12/03) após o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmar que dará até duas semanas para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), analisar o requerimento de criação da comissão.

Segundo o parlamentar, caso a análise ultrapasse esse período, ele pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a leitura do pedido em plenário, passo necessário para a instalação da comissão parlamentar de inquérito. Vieira afirmou que já discutiu o tema com Alcolumbre nos últimos dias.

“Já tratamos sobre o requerimento. Ele está avaliando. Se essa análise ultrapassar um limite temporal razoável, vou pedir à Justiça que determine a leitura do requerimento”, disse à coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles, nesta quinta-feira (12).

O parlamentar avalia que um prazo entre uma e duas semanas seria suficiente para a presidência do Senado decidir sobre o pedido da CPI do Banco Master. Ele reconhece, porém, que o período pode mudar conforme o contexto político.

Assinaturas e alvo da CPI do Banco Master

O requerimento da CPI do Banco Master foi protocolado no Senado na segunda-feira (09/03). O pedido reúne 35 assinaturas de senadores. O número supera o mínimo constitucional de 27 apoios exigidos para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito.

Apesar de já ter atingido o patamar exigido, Vieira afirma que a coleta de novas assinaturas continua. Segundo ele, parlamentares do PT não aderiram ao pedido até o momento.

A proposta prevê investigar relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal e personagens ligados ao caso Banco Master, incluindo o ex-presidente da instituição financeira, Daniel Vorcaro.

Entre os ministros citados no requerimento estão Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. O documento também menciona um contrato de honorários advocatícios entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, que totalizaria R$ 129 milhões.

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A iniciativa ganhou força após a divulgação de mensagens enviadas do celular de Vorcaro a magistrados após sua prisão. O senador citou esse episódio como uma das motivações para pedir a criação da comissão.

Em publicação na rede social X, Vieira afirmou que o objetivo da CPI do Banco Master é garantir que todos estejam submetidos às mesmas regras institucionais. “Sem condenações prévias e com responsabilidade é preciso garantir que todos estão sujeitos à mesma lei”, escreveu.

O senador também destacou a dimensão do caso. Em entrevista à CNN, Vieira declarou que a investigação envolve diferentes níveis da administração pública e do sistema financeiro.

“O caso do Banco Master é imenso: envolve prefeituras, governos estaduais, governo federal, fundos de previdência e mercado financeiro”, comentou o Senador.

Precedente do STF pode influenciar disputa

A estratégia de recorrer ao Judiciário se apoia em precedentes recentes do próprio Supremo. Em 2021, o STF determinou que o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), instalasse a CPI da Covid após pedido de parlamentares.

Caso a presidência do Senado não avance com a análise do requerimento, a CPI do Banco Master pode se transformar em mais um episódio de disputa institucional entre Congresso e Supremo, com reflexos diretos no debate político nacional.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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