Brasil pede cessar-fogo no Oriente Médio em nota com México e Colômbia

Brasil pede cessar-fogo no Oriente Médio em declaração conjunta com México e Colômbia. Países defendem retomada das negociações diplomáticas diante da escalada militar na região.
Lula comenta posição do Brasil por cessar-fogo no Oriente Médio
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante agenda oficial; governo brasileiro divulgou nota conjunta pedindo cessar-fogo no Oriente Médio.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os governos do Brasil, do México e da Colômbia divulgaram nesta sexta-feira (13/03) uma declaração conjunta defendendo a interrupção das hostilidades no Oriente Médio. No documento, Brasil pede cessar-fogo imediato no conflito e cobra a retomada de negociações diplomáticas entre os países envolvidos.

O documento afirma que divergências entre Estados devem ser resolvidas por meios diplomáticos, conforme os princípios da solução pacífica de controvérsias. Os governos também defendem que a interrupção dos combates pode abrir espaço para diálogo e negociação política entre as partes envolvidas.

Brasil pede cessar-fogo e reforça defesa da diplomacia

O texto divulgado pelos três governos declara que a declaração de um cessar-fogo imediato é considerada indispensável diante da atual escalada militar na região. O comunicado também registra a disposição de Brasil, México e Colômbia para colaborar com iniciativas internacionais voltadas à construção de confiança entre as partes e ao avanço de soluções políticas negociadas.

“Consideramos indispensável que, no atual conflito no Oriente Médio, seja declarado um cessar-fogo imediato, a fim de abrir espaços efetivos para o diálogo e a negociação”, afirma a declaração conjunta.

A manifestação ocorre em um momento de pressão internacional pela suspensão das hostilidades. Diversos países e organismos multilaterais têm feito apelos semelhantes diante do agravamento das tensões envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, além de outros atores regionais.

Brasil pede cessar-fogo após contatos diplomáticos entre líderes

A publicação da nota conjunta ocorreu dias após conversas telefônicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes Gustavo Petro, da Colômbia, e Claudia Sheinbaum, do México. As ligações ocorreram em 11 de março e 9 de março, respectivamente.

As notas divulgadas pelo Palácio do Planalto sobre esses contatos, no entanto, não mencionaram o conflito no Oriente Médio. No diálogo com Sheinbaum, o comunicado oficial destacou apenas a intenção de ampliar a cooperação bilateral na área de energia e registrou um convite para que a presidente mexicana visite o Brasil.

Já a conversa entre Lula e Petro tratou de temas ligados à integração latino-americana e caribenha, além da preparação para a Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

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Pedido brasileiro por trégua ocorre em meio a tensões globais

O posicionamento diplomático ocorre em meio a um novo ciclo de tensões envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, que se intensificaram enquanto negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano ainda estavam em andamento.

O acordo firmado em 2015, durante o governo de Barack Obama, previa inspeções internacionais no programa nuclear iraniano. No entanto, os Estados Unidos abandonaram o pacto ainda no primeiro mandato de Donald Trump, o que reabriu disputas sobre o tema.

O Irã sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos e afirma aceitar inspeções internacionais. Israel e Estados Unidos, por outro lado, acusam Teerã de buscar o desenvolvimento de armas nucleares.

No cenário atual, Brasil pede cessar-fogo como parte de uma estratégia diplomática que busca estimular negociações políticas e reduzir o risco de ampliação do conflito, que já provoca preocupações internacionais e efeitos sobre o mercado global de energia.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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