Compra de petróleo russo volta a ser autorizada pelos EUA após disparada do Brent

A compra de petróleo russo foi autorizada temporariamente pelos EUA até 11 de abril para aliviar a alta global da energia após tensões no Oriente Médio e riscos ao Estreito de Ormuz.
plataforma de petróleo offshore em alto-mar ligada à produção global de energia
Plataforma de petróleo offshore utilizada na exploração e produção de petróleo no mercado internacional de energia. Foto: Freepik

A compra de petróleo russo voltou a ser autorizada temporariamente pelos Estados Unidos (EUA) nesta quinta-feira (12/03), em uma tentativa de conter a disparada dos preços da energia após a escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e forças americanas no Oriente Médio.

A licença emitida pelo Departamento do Tesouro permite que países recebam petróleo bruto e derivados da Rússia que já estavam carregados em navios até 12 de março. A autorização vale até 11 de abril, à meia-noite no horário de Washington.

Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a medida foi desenhada como uma solução emergencial para estabilizar o mercado energético global. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que se trata de uma ação “de curto prazo e específica”, aplicada apenas ao petróleo que já está em trânsito e que não deve gerar ganhos financeiros relevantes para o governo russo.

Compra de petróleo russo e pressão sobre os preços da energia

A autorização ocorre após uma nova disparada no mercado internacional da commodity. O barril do Brent, referência global, fechou o dia cotado a US$ 101,75, com alta de 10,6%, superando a marca de US$ 100 pela primeira vez desde 2022.

Na mesma semana, o petróleo chegou a atingir US$ 119,46, refletindo a instabilidade provocada pelos ataques contra infraestruturas energéticas no Golfo e pelos riscos ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz.

A região concentra cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Parte dos navios petroleiros passou a evitar a travessia após ameaças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. O grupo declarou que poderá bloquear embarques caso os ataques dos EUA e de Israel continuem.

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Medidas dos EUA para conter a crise energética

Além da autorização para a compra de petróleo russo, o governo americano anunciou outras iniciativas para ampliar a oferta global de energia.

O Departamento de Energia informou que os EUA irão liberar 172 milhões de barris da reserva estratégica de petróleo. Ao mesmo tempo, a Agência Internacional de Energia (AIE) aprovou a liberação conjunta de 400 milhões de barris pelos países membros.

Em paralelo, o presidente Donald Trump ordenou que a U.S. International Development Finance Corporation ofereça seguros contra risco político e garantias financeiras para operações de comércio marítimo na região do Golfo.

Autorização temporária para petróleo da Rússia

A licença americana também amplia uma autorização concedida à Índia em 5 de março, que permitiu ao país comprar petróleo russo carregado em navios antes daquela data. Nova Délhi é atualmente um dos principais destinos do petróleo russo após as sanções impostas ao país desde a guerra na Ucrânia.

Segundo Kirill Dmitriev, enviado do Kremlin, a decisão dos EUA pode afetar cerca de 100 milhões de barris de petróleo russo. Esse volume atualmente está retido no mar.

Para o governo russo, a flexibilização indica que o cenário global de energia pode pressionar por novas revisões das restrições ao setor.

No plano diplomático, Trump também conversou por cerca de uma hora com o presidente russo Vladimir Putin para discutir os conflitos no Irã e na Ucrânia, segundo o Kremlin.

A autorização temporária para a compra de petróleo russo mostra que governos podem rever sanções diante de choques geopolíticos. Esses episódios elevam rapidamente os preços da energia e ampliam riscos para inflação, transporte e atividade econômica global.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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