EUA investigam o Brasil por suspeita ligada a trabalho forçado no comércio

EUA investigam o Brasil em apuração comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O processo envolve 60 países e pode resultar em tarifas ou restrições comerciais.
Trump e Lula em imagem ilustrativa sobre investigação comercial dos EUA contra o Brasil
Estados Unidos abrem investigação comercial que inclui o Brasil e outras 59 economias. Fotos: Reprodução ; Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial que inclui o Brasil e outras 59 economias. Na quinta-feira (12/03), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou o processo, no qual EUA investigam o Brasil para avaliar se o país adota medidas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado no comércio internacional.

A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento da legislação americana usado para apurar práticas consideradas desleais no comércio global e que podem prejudicar empresas e trabalhadores dos EUA.

EUA investigam o Brasil em apuração comercial sobre trabalho forçado

Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, a análise busca verificar se governos estrangeiros adotam medidas eficazes para impedir a entrada em seus mercados de produtos fabricados sob essas condições.

“Essas investigações determinarão se os governos estrangeiros tomaram medidas suficientes para proibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado e como a falha em erradicar essas práticas impacta trabalhadores e empresas americanas”, afirmou Greer.

Em comunicado oficial, o representante comercial afirmou ainda que empresas e trabalhadores americanos enfrentam concorrência de produtores estrangeiros que podem obter vantagem de custo artificial a partir dessas práticas.

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Outros 59 parceiros comerciais também serão investigados

Além do Brasil, a lista inclui economias de grande peso no comércio internacional, como:

  • China
  • União Europeia
  • México
  • Argentina
  • Japão
  • Índia
  • Israel
  • Reino Unido

Também aparecem na investigação:

  • Vietnã
  • Canadá
  • Chile
  • Colômbia
  • África do Sul
  • Coreia do Sul
  • Turquia
  • Emirados Árabes Unidos

O processo prevê uma audiência pública em 28 de abril, na qual empresas, associações e outras partes interessadas poderão apresentar contribuições. Comentários por escrito poderão ser enviados ao governo americano até 15 de abril de 2026.

O Comitê da Seção 301, órgão subordinado ao Comitê de Política Comercial dos EUA, conduz as investigações. O grupo analisa petições, conduz audiências públicas e apresenta recomendações ao representante comercial sobre eventuais medidas.

Apuração comercial americana

Caso a investigação conclua que os países analisados não adotam medidas eficazes para combater o uso de trabalho forçado em cadeias produtivas, o governo americano poderá aplicar tarifas adicionais, restrições à importação ou suspensão de concessões comerciais.

A legislação também permite que Washington firme acordos com governos estrangeiros para cessar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.

A inclusão do país no processo ocorre em um contexto de tensão comercial. Em episódio anterior, o governo Donald Trump chegou a sinalizar a possibilidade de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros.

A expectativa do governo americano é concluir a investigação até o fim de julho, após a fase de consultas, audiências e análise das contribuições apresentadas por empresas e governos. Nesse cenário, o processo em que EUA investigam o Brasil pode influenciar negociações comerciais e discussões sobre cadeias produtivas globais.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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