Em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia e à recente pressão sobre o mercado global de energia, as sanções ao petróleo russo voltaram ao centro do debate internacional nesta sexta-feira (13/03). A tensão aumentou quando os Estados Unidos concederam uma isenção temporária para a venda de cargas russas já em trânsito no mar.
A decisão provocou críticas de Kiev e de governos europeus. Além disso, abriu uma nova divergência entre aliados ocidentais sobre a estratégia de pressão econômica contra Moscou.
Washington anunciou a autorização na quinta-feira (12/03). O objetivo declarado é reduzir a volatilidade no mercado energético internacional.
Nos últimos dias, o preço do barril se aproximou de US$ 120. A escalada militar no Oriente Médio impulsionou a alta. Ao mesmo tempo, aumentaram os riscos à navegação no Golfo Pérsico.
Sanções ao petróleo russo ampliam divergência entre aliados
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, afirmou que o alívio temporário das restrições pode fortalecer a capacidade financeira de Moscou.
“Acredito que a suspensão das sanções fortalecerá a posição da Rússia. O dinheiro das vendas de energia está sendo usado para comprar armas”, declarou o líder ucraniano após reunião com Emmanuel Macron em Paris.
Segundo Zelenskiy, a flexibilização americana pode gerar cerca de US$ 10 bilhões adicionais para a Rússia. Dessa forma, os recursos poderiam financiar drones e armamentos utilizados no conflito.
Macron afirmou que a decisão dos Estados Unidos é limitada e temporária. Ainda assim, o presidente francês argumentou que a situação internacional atual não justificaria qualquer relaxamento das restrições econômicas impostas a Moscou.
Líderes europeus contestam decisão americana
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, classificou a medida como equivocada. Além disso, questionou os motivos da iniciativa americana.
Para o líder alemão, a crise recente no mercado de energia está ligada principalmente ao preço do petróleo. Portanto, não se trata de uma escassez física de oferta global.
O Reino Unido também defendeu a manutenção da pressão econômica sobre Moscou. Um porta-voz do governo do primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que os parceiros ocidentais devem continuar restringindo os recursos usados pela Rússia no conflito.
A Comissão Europeia adotou posição semelhante. Da mesma forma, porta-vozes do bloco afirmaram que Moscou não deveria se beneficiar da instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio.
Além disso, autoridades europeias reiteraram que as sanções energéticas continuam em vigor na União Europeia.
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Mercado energético reage à flexibilização
A licença emitida pelos EUA permite que cargas de petróleo russo carregadas até 12 de março sejam entregues e comercializadas até 11 de abril, segundo autoridades americanas.
Dados da empresa de análise Vortexa mostram que cerca de 7,3 milhões de barris de petróleo russo estão em armazenamento flutuante. Além disso, outros 148,6 milhões de barris seguem em navios em trânsito.
Autoridades russas estimam que até 100 milhões de barris podem ser afetados pela autorização temporária.
Após o anúncio, governos asiáticos como Japão e Tailândia indicaram interesse em comprar petróleo russo. Ao mesmo tempo, análises de mercado apontam que parte das cargas já tinha destino na Ásia, especialmente a Índia.
Diante desse quadro, o debate sobre as sanções ao petróleo russo revela uma divergência crescente dentro do bloco ocidental. De um lado, Washington tenta reduzir os efeitos da crise energética global. De outro, governos europeus temem que qualquer flexibilização diminua a pressão econômica sobre Moscou e prolongue a guerra na Ucrânia.