O Mercado Livre de Energia deve levar o Ceará a uma economia anual de até R$ 19 milhões com a ampliação da adesão de prédios públicos ao novo modelo. A projeção considera a entrada de 61 novas unidades em 2026, elevando o total para 191 estruturas operando fora do ambiente tradicional de contratação.
A estratégia começou em novembro de 2024, quando a Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra) iniciou a migração de grandes consumidores públicos. O modelo permite negociar diretamente a compra de energia, mantendo a distribuição com a concessionária local. Com isso, o Estado registra redução média próxima de 30% nos custos mensais.
Expansão do modelo em prédios públicos
Os dados do primeiro ciclo ajudam a dimensionar o efeito fiscal. Até o fim de 2025, 130 prédios e equipamentos já haviam migrado, com redução média de 31,17% nas despesas com eletricidade. Segundo balanço da Seinfra, a economia acumulada nos primeiros 12 meses atingiu R$ 11.908.861,54, com potencial de chegar a R$ 15,43 milhões dentro desse grupo.
Além disso, a ampliação programada para 2026 indica continuidade da política. A inclusão de mais 61 unidades deve consolidar o modelo como alternativa recorrente para cortar despesas estruturais da máquina pública, sem alteração na prestação de serviços.
O avanço da contratação livre de energia no setor público também sinaliza mudança no comportamento do Estado como consumidor. Ao migrar equipamentos de grande porte, como hospitais, arenas e centros administrativos, o governo passa a atuar diretamente na negociação de contratos, com maior previsibilidade de custos.
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A nova etapa já começou a ser executada. Em fevereiro de 2026, 19 unidades entraram em operação dentro do Mercado Livre de Energia, incluindo prédios da Secretaria da Fazenda, a sede da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e unidades da Casa da Mulher Cearense.
Esse primeiro pacote deve gerar economia mensal de R$ 26.454,55, o equivalente a cerca de R$ 317 mil por ano. A redução média nesse grupo é de 23,6% em relação aos custos anteriores.
Os percentuais de economia variam entre as unidades incluídas na nova etapa de migração, de acordo com o perfil de consumo e os contratos anteriores de cada equipamento.
- Quixadá: 30,8% (maior corte estimado)
- Crateús: 27,3%
- Russas: 25,2%
- Sobral: 23,6%
- Fortaleza/Parangaba: 23,3%
- Funceme: 19,1% (menor variação, ainda com queda relevante)
No penúltimo bloco de expansão, o Mercado Livre de Energia deve alcançar também equipamentos culturais e de saúde, como o Theatro José de Alencar, o Cineteatro São Luiz, a Pinacoteca e o Hospital Universitário do Ceará, ampliando o alcance da política.
A leitura dos dados indica que o modelo deixa de ser pontual e passa a atuar como instrumento estrutural de gestão. Ao combinar redução de até 31,17% em ciclos já executados com expansão contínua, o Estado cria um padrão de contratação que tende a pressionar outros governos a adotar arranjos semelhantes no setor elétrico.