Universal organiza evento em estádios em meio a articulações políticas do Republicanos

O evento da Universal reunirá celebrações simultâneas em nove arenas do Brasil na Sexta-feira da Paixão. A mobilização ocorre enquanto o Republicanos discute alianças e estratégias para as próximas eleições.
Edir Macedo em evento da Igreja Universal
O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, durante cerimônia religiosa da denominação. Foto: Reprodução/Facebook

O evento da Universal “Família ao Pé da Cruz” levará celebrações religiosas a nove estádios de futebol em diferentes regiões do Brasil na Sexta-feira da Paixão (03/04). A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) alugou arenas como o Maracanã, no Rio de Janeiro, e a Neo Química Arena e o Pacaembu, em São Paulo, para realizar a mobilização nacional.

A mobilização ocorre em meio a articulações políticas envolvendo o Republicanos, partido ligado à igreja e presidido pelo deputado federal Marcos Pereira, bispo licenciado da denominação. A informação sobre o aluguel das arenas foi revelada em apuração do jornalista Thiago Prado, do jornal O Globo.

Entre os estádios reservados estão Maracanã (RJ), Neo Química Arena e Pacaembu (SP), Mané Garrincha (DF), Arena do Grêmio (RS), Fonte Nova (BA), Independência (MG), Mangueirão (PA) e Albertão (PI). A expectativa é reunir grandes públicos em cada um desses locais durante a celebração religiosa.

Evento da Universal em estádios e escala da mobilização

A realização do evento da Universal em nove arenas ao mesmo tempo é incomum mesmo entre igrejas evangélicas, que frequentemente utilizam estádios para grandes encontros religiosos. A operação envolve logística ampla e custos elevados de aluguel, produção e estrutura.

Valores praticados no mercado ajudam a dimensionar esse tipo de iniciativa. Em dezembro, a Igreja Batista Lagoinha pagou R$ 2,9 milhões para utilizar a Neo Química Arena em um evento gospel. Já o Pacaembu, atualmente administrado pela iniciativa privada, cobra cerca de R$ 1,25 milhão para eventos realizados no gramado.

Eventos desse porte também costumam contar com apoio de governos locais. O encontro da Lagoinha na Neo Química Arena recebeu R$ 4 milhões da Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes (MDB). Para a celebração da Universal, o governo do Rio de Janeiro, liderado por Cláudio Castro (PL), anunciou R$ 5 milhões de patrocínio para ajudar na montagem da estrutura no Maracanã.

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Evento da Universal em estádios e cenário político

A realização do evento da Universal acontece enquanto o Republicanos discute seu posicionamento nas articulações eleitorais para as próximas disputas.

Nos bastidores da política nacional, tanto o PT quanto o PL têm priorizado negociações com outras legendas do Centrão. O senador Flávio Bolsonaro (PL) trabalha por uma aliança com a federação formada por União Brasil e PP e avalia nomes como Romeu Zema (Novo) ou Ratinho Júnior (PSD) para compor uma chapa presidencial.

Já o Palácio do Planalto tenta atrair o MDB para integrar a chapa presidencial. No Rio de Janeiro, reduto histórico da Universal, o partido também ficou fora das principais composições anunciadas até agora.

O prefeito Eduardo Paes (PSD) e o secretário estadual das Cidades Douglas Ruas (PL) são cotados para disputar o governo estadual. Ambos já anunciaram chapas com candidatos a vice e ao Senado sem contemplar o Republicanos.

Disputas internas no partido

O cenário político também envolve articulações internas da legenda. Entre os nomes associados ao partido estão o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas e o senador Cleitinho Azevedo. Avaliações políticas apontam Cleitinho como favorito na disputa pelo governo de Minas Gerais.

No Rio de Janeiro, o ex-prefeito de Belford Roxo Waguinho Carneiro lançou pré-candidatura ao governo estadual. Ao mesmo tempo, o partido mantém conversas com o psiquiatra e influenciador digital Ítalo Marsili, que avalia filiação para disputar o governo ou o Senado.

Nesse cenário, o evento da Universal ocorre enquanto a legenda ligada à igreja discute sua estratégia eleitoral e busca ampliar espaço nas articulações políticas para as próximas eleições.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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