Governo corta impostos e cria subsídio para conter preço do diesel

O governo anunciou corte de PIS/Cofins e subsídio de R$ 0,32 por litro para conter o preço do diesel. A expectativa é reduzir até R$ 0,64 nas bombas em meio à alta do petróleo.
Geraldo Alckmin fala sobre medidas do governo para conter o preço do diesel
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo busca conter o preço do diesel com corte de impostos e subvenção ao combustível. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O preço do diesel entrou no centro da política econômica do Governo Federal no sábado (14/03). O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a prioridade da gestão é garantir abastecimento e evitar uma escalada do combustível nas bombas.

Para isso, o governo anunciou duas medidas: zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e criar uma subvenção de R$ 0,32 por litro. Segundo Alckmin, a expectativa é que o pacote permita redução de pelo menos R$ 0,64 por litro nas bombas, caso o efeito seja integralmente repassado ao consumidor.

Preço do diesel e impacto na inflação

O preço do diesel tem peso direto sobre a economia brasileira. De acordo com o vice-presidente, a alta do combustível pode elevar custos de transporte de cargas, alimentos e logística, pressionando a inflação.

Além disso, o cenário internacional agravou a pressão sobre o combustível. A guerra no Oriente Médio elevou a cotação internacional do barril de petróleo, refletindo nos preços de combustíveis no mercado interno.

Outro fator relevante é estrutural. O Brasil importa cerca de 25% do diesel que consome, o que aumenta a exposição do país às oscilações do mercado internacional de energia.

Mesmo sendo exportador de petróleo, o país ainda depende de importação do combustível porque não possui capacidade de refino suficiente para atender à demanda interna, explicou o vice-presidente.

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Preço do diesel e estratégia do governo

Ao comentar as medidas, Alckmin classificou a estratégia do governo como uma decisão “inteligente” para lidar com a pressão sobre combustíveis.

Ele também criticou a política adotada em 2022 pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que limitou a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre combustíveis.

Segundo Alckmin, a decisão provocou perda de arrecadação para os Estados e levou a disputas judiciais.

“Os estados foram para a Justiça porque perderam receita. Acabou tudo judicializado, virando um precatório gigantesco”, afirmou.

Renovação da frota e estímulo industrial

Durante agenda em uma concessionária da Scania em Santa Maria (DF), Alckmin também destacou o avanço do programa Move Brasil, voltado à renovação da frota de caminhões. Segundo ele, o programa foi lançado com R$ 10 bilhões em recursos e reduziu os juros médios de financiamento de 23% para 13%.

De acordo com o vice-presidente, R$ 6,2 bilhões já foram aplicados em apenas dois meses de funcionamento da iniciativa. O programa busca incentivar caminhoneiros autônomos a adquirir veículos novos ou seminovos.

Além disso, o governo pretende estimular a indústria automotiva com a eliminação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para o chamado carro sustentável.

O modelo definido pelo governo deve ser fabricado no Brasil, ter motor flex, possuir 80% de reciclabilidade e emitir no máximo 83 gramas de CO₂ por quilômetro rodado.

No cenário atual, o debate sobre o preço do diesel revela um desafio estrutural da economia brasileira: conciliar controle inflacionário, dependência energética e estímulo à indústria. O pacote anunciado tenta responder a esse quadro combinando política tributária, subsídios e incentivo à renovação da frota.

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Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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