Trump ameaça ilha de Kharg e diz que pode atacar “só por diversão”

Trump ameaça ilha de Kharg e afirma que os EUA podem voltar a bombardear o principal terminal petrolífero do Irã. A tensão envolve o Estreito de Hormuz e eleva riscos ao mercado global de energia.
Mapa mostra a localização da ilha de Kharg no Golfo Pérsico, no Irã
A ilha de Kharg, no Golfo Pérsico, concentra cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã e virou alvo de ameaças militares dos Estados Unidos. Foto: Reprodução

O presidente Donald Trump ameaçou a ilha de Kharg ao afirmar, no sábado (14/03), que os Estados Unidos (EUA) podem voltar a bombardear o terminal petrolífero iraniano localizado no Golfo. Em entrevista ao canal americano NBC News, o presidente disse que as forças americanas já teriam destruído grande parte da ilha e declarou que o local poderia ser atingido novamente “só por diversão”, o que elevou o tom da escalada militar na região.

Durante a conversa, o presidente dos Estados Unidos disse que os ataques americanos já teriam “destruído completamente” grande parte da ilha. Segundo ele, os EUA podem atingir novamente a área caso considerem necessário. A ilha de Kharg abriga o principal terminal de exportação de petróleo do Irã e fica a 24 km da costa iraniana, no Golfo.

O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que os bombardeios atingiram mais de 90 locais em Kharg. Entre os alvos citados estão instalações de armazenamento de minas navais, bunkers de mísseis e outras estruturas militares.

Trump ameaça ilha de Kharg: impacto estratégico da ilha de Kharg

A importância da ilha de Kharg para a economia iraniana está diretamente ligada ao setor energético. O terminal localizado no local responde por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã, segundo as informações divulgadas.

Apesar das declarações de Washington sobre a destruição de grande parte da ilha, autoridades iranianas minimizaram a extensão dos danos. O governo americano sustenta que os ataques tiveram como alvo estruturas militares e não instalações da indústria energética.

Trump afirmou que decidiu não atacar as linhas de transmissão de energia da ilha. Segundo ele, reconstruir essa infraestrutura poderia levar anos.

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Pressão sobre Hormuz e liderança iraniana

A tensão cresce também no Estreito de Hormuz, uma das rotas energéticas mais sensíveis do planeta. Aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passam pelo corredor marítimo localizado entre o Irã e Omã.

Trump pediu que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países enviem navios de guerra para garantir a navegação no estreito. Ao mesmo tempo, afirmou que os Estados Unidos continuarão a bombardear a costa iraniana e a abater embarcações do país.

Trump ameaça ilha de Kharg enquanto afirma que não pretende fechar um acordo com Teerã neste momento. Segundo ele, embora o Irã demonstre interesse em negociar o fim do conflito, “os termos ainda não são bons o suficiente”.

O presidente também levantou dúvidas sobre o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que assumiu após o assassinato do pai. Trump disse não saber se ele está vivo e classificou como “rumor” relatos de que poderia ter morrido.

Escalada militar e risco ao mercado de energia

Trump ameaça ilha de Kharg em um momento em que o conflito amplia riscos para o mercado global de energia. A ilha concentra a principal infraestrutura de exportação petrolífera iraniana e o Estreito de Hormuz continua sendo uma rota essencial para o comércio mundial de petróleo e gás.

A combinação entre ataques militares, ameaça à navegação e incerteza política em Teerã indica que o conflito pode produzir efeitos além do campo militar. Se a infraestrutura energética ou a circulação no estreito forem afetadas, o impacto tende a atingir preços internacionais de petróleo e a estabilidade do comércio global de energia.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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