Ofensiva israelense no Líbano abre nova fase da guerra com Hezbollah

A ofensiva israelense Líbano marca a entrada de tropas israelenses no sul do país contra o Hezbollah. A escalada militar já deixou centenas de mortos e até 900 mil deslocados, ampliando o risco de expansão da guerra no Oriente Médio.
soldado israelense em operação noturna durante ofensiva israelense no sul do Líbano - Foto: Reprodução/Yotube
Soldado das Forças de Defesa de Israel avança durante operação noturna no sul do Líbano na ofensiva contra posições do Hezbollah. - Foto: Reprodução/Yotube

Em meio à escalada militar na fronteira norte de Israel e ao aumento das tensões regionais envolvendo Irã e aliados, a ofensiva israelense Líbano entrou em uma nova etapa nesta segunda-feira (16/03). As Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram o início de operações terrestres limitadas no sul do território libanês contra posições do Hezbollah. Assim, tropas israelenses passaram a atuar formalmente dentro do país vizinho após semanas de ataques aéreos e confrontos na fronteira.

Segundo o Exército israelense, a incursão busca destruir estruturas militares do grupo aliado do Irã e reforçar a linha defensiva no norte de Israel. A operação envolve tropas da 91ª Divisão das FDI. Durante a madrugada, soldados e tanques avançaram para a região, conforme registros divulgados pelos militares com equipamentos de visão noturna.

Além disso, Israel já vinha ampliando bombardeios contra posições do Hezbollah no Líbano. De acordo com os militares israelenses, mais de 1.000 posições do grupo foram atingidas desde o início da escalada recente. Ao mesmo tempo, o Hezbollah intensificou ataques contra território israelense.

Relatórios militares indicam 25 ataques do Hezbollah no domingo (15) e cinco ataques na segunda-feira (16). Esses bombardeios atingiram áreas próximas à fronteira e também posições das forças israelenses.

Escalada militar na fronteira Israel-Líbano

A nova incursão militar israelense no Líbano ocorre após o colapso do cessar-fogo que estava em vigor desde novembro de 2024. Os confrontos voltaram no início de março. O agravamento coincide com o aumento das tensões regionais envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro.

Nesse período, Israel ampliou ataques aéreos contra alvos no território libanês. Bombardeios atingiram inclusive áreas da capital Beirute, reduto político e militar do Hezbollah.

Ataques também foram registrados em várias localidades do sul do país. Entre elas estão Yater, Burj Qalawiya, Sultaniya, Chaqra, Qantara e as-Sawana. Além disso, confrontos ocorreram nas proximidades da cidade de Khiam, considerada um reduto estratégico do Hezbollah próximo à fronteira israelense.

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Enquanto os confrontos avançam, o impacto sobre civis cresce rapidamente. Segundo o governo libanês, cerca de 800 mil pessoas deixaram suas casas desde o início das hostilidades. Já a Cruz Vermelha Libanesa estima que o número de deslocados pode chegar a 900 mil civis.

Além disso, dados do Ministério da Saúde do Líbano indicam que 850 pessoas morreram e mais de 2.100 ficaram feridas desde o início do conflito recente. Entre os mortos estão 107 crianças e 66 mulheres.

As autoridades libanesas também informaram que ordens de retirada emitidas por Israel já alcançam aproximadamente 14% do território do país. Como resultado, milhares de civis seguem tentando deixar áreas atingidas por bombardeios e combates.

Segundo as Forças de Defesa de Israel, a ofensiva israelense Líbano faz parte de um plano mais amplo de defesa. Em comunicado, o Exército afirmou que a operação busca desmontar a infraestrutura militar do Hezbollah e eliminar combatentes que operam na região.

Analistas de segurança regional afirmam que a entrada de tropas em território libanês altera o padrão da guerra. Até então, os confrontos ocorriam sobretudo por ataques aéreos e bombardeios transfronteiriços. A ofensiva terrestre, portanto, amplia o risco de confrontos prolongados e aumenta a possibilidade de expansão da guerra no Oriente Médio.

Foto de Jussier Lucas.

Jussier Lucas.

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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