As mensagens entre BRB e Master divulgadas nesta terça-feira (17/03) ampliam a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master ao expor interlocuções diretas durante a tentativa de socorro à instituição privada. O conteúdo, analisado pela Polícia Federal (PF) e pela CPI do INSS, mostra alinhamento entre o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o empresário Daniel Vorcaro.
Além disso, os diálogos foram extraídos do celular de Vorcaro, que armazenava prints de conversas desde o início de 2025. Em um dos trechos, Costa menciona o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e afirma que o dirigente teria interesse em falar com o banqueiro. A investigação busca esclarecer o contexto e o alcance desse possível contato.
Mensagens entre BRB e Master
Em outro ponto, o conteúdo indica proximidade entre os dois executivos. Costa afirma que estaria ao lado de Vorcaro de forma permanente. “Sempre é sempre mesmo”, escreveu. O empresário respondeu com reciprocidade, no momento em que ambos negociavam uma operação para evitar o colapso do Banco Master.
Por outro lado, a defesa de Costa declarou que as mensagens fazem parte do exercício regular de suas funções e refletem a rotina do mercado financeiro. Segundo os advogados, todas as decisões passaram por processos formais de governança corporativa e análise técnica. Já Antônio Rueda afirmou que não comenta diálogos privados e negou relação com Vorcaro além de contatos sociais eventuais.
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Diálogos entre BRB e Master
No plano econômico, as mensagens entre BRB e Master aparecem no contexto de uma operação estimada em R$ 2 bilhões. O banco público anunciou a compra de 58% do capital do Banco Master para tentar reequilibrar a instituição. No entanto, o Banco Central (BC) barrou a transação e, posteriormente, decretou a liquidação do banco por suspeitas de irregularidades.
As investigações apontam ainda fraudes que podem chegar a R$ 12,2 bilhões, segundo a Polícia Federal. Há indícios, de acordo com investigadores, de participação de dirigentes do BRB no esquema. Em depoimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF), Costa e Vorcaro negaram irregularidades e apresentaram versões divergentes sobre o conhecimento da origem dos ativos sob suspeita.
Paralelamente, a apuração examina conexões políticas associadas à operação. Há registros de contatos com lideranças em Brasília, incluindo menções a Rueda e ao senador Ciro Nogueira. Também foram identificados pagamentos de R$ 3,6 milhões ao ex-prefeito ACM Neto entre 2023 e 2024, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
No mesmo contexto, surge ainda a relação com o Rioprevidência, que investiu cerca de R$ 1 bilhão no Banco Master. A investigação busca entender se essas conexões tiveram influência na tentativa de viabilizar a operação financeira, considerada de alto risco dentro do mercado.
As mensagens entre BRB e Master reforçam a linha de apuração sobre a atuação de redes de relacionamento no setor financeiro. Ao mesmo tempo, indicam um ambiente em que decisões bancárias relevantes podem ter sido acompanhadas por interlocução política.