Joe Kent, chefe do contraterrorismo dos EUA (Estados Unidos), deixou o cargo após declarar que não poderia apoiar a guerra contra o Irã, expondo divergências internas sobre a justificativa do conflito. Kent anunciou a decisão ao afirmar que Teerã não representava ameaça imediata ao país, contrariando a linha adotada pela Casa Branca.
A renúncia foi formalizada nesta terça-feira (17/03), em publicação pública, e ocorre em meio a versões conflitantes dentro do próprio governo. Enquanto o presidente Donald Trump sustentou que havia uma “ameaça iminente”, autoridades do Pentágono indicaram a parlamentares que o Irã não planejava ataques, a menos que fosse provocado.
Crise interna na segurança dos EUA
Kent afirmou que a guerra foi iniciada sob influência externa, citando pressão de Israel e de grupos de lobby nos Estados Unidos. Segundo ele, houve uma campanha coordenada que levou à construção de uma narrativa pró-conflito. Essa leitura, no entanto, é atribuída exclusivamente ao ex-diretor.
Além disso, o governo apresentou justificativas distintas ao longo do processo. Trump mencionou a proteção de manifestantes iranianos, o risco nuclear e o histórico de apoio do Irã a grupos armados que atacaram cidadãos americanos. Apesar disso, integrantes da Defesa apontaram outra avaliação técnica sobre o cenário.
O episódio amplia o desgaste institucional ao tornar pública uma divergência que, até então, estava restrita a reuniões fechadas. A saída do responsável pelo Centro Nacional de Contraterrorismo (NCTC) transforma o debate em um problema político aberto, com potencial de repercussão no Congresso.
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Saída do chefe antiterrorismo dos EUA
Kent também traçou paralelos com a guerra do Iraque e afirmou que autoridades usaram argumentos semelhantes no passado para justificar intervenções militares. Ele declarou que não apoiaria o envio de tropas a um conflito que, em sua avaliação, não traz benefício direto ao país.
Antes de assumir o cargo, o Senado confirmou Kent por 52 votos a 44, apesar da resistência de democratas devido às suas ligações com grupos de extrema-direita. Ele serviu nas Forças Armadas, participou de 11 missões pelos Boinas Verdes e depois atuou na CIA.
A saída do chefe do contraterrorismo dos EUA ocorre em um momento sensível da política externa americana. O episódio indica tensão entre inteligência e decisão política, além de sinalizar que a narrativa sobre a guerra não é consensual dentro do próprio aparato de segurança nacional.