Os consignados da C6 Bank foram suspensos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) após auditoria identificar indícios de irregularidades em 320 mil contratos. A decisão inclui ainda a exigência de devolução de cerca de R$ 300 milhões a aposentados e pensionistas. A medida foi formalizada na terça-feira (17/03).
Além disso, o INSS determinou a interrupção imediata de novas operações e rescindiu o acordo de cooperação técnica com o banco. Com isso, a instituição fica impedida de ofertar crédito consignado até que os valores sejam integralmente restituídos aos beneficiários.
Consignados da C6 Bank e cobranças adicionais
Segundo apuração da Controladoria-Geral da União (CGU), os consignados da C6 Bank incluíam serviços adicionais, como seguros e pacotes de benefícios, sem autorização clara dos beneficiários. Esse formato reduzia o valor líquido recebido pelos aposentados.
Auditores apontaram, por exemplo, a inclusão de um seguro de R$ 500 embutido nos contratos. O INSS reforçou que a prática viola regras do consignado, que proíbem encargos extras fora da operação de crédito.
O banco, por sua vez, contestou a decisão. Em nota, afirmou que não houve irregularidades e que irá recorrer na Justiça.
“A contratação do consignado nunca esteve condicionada à compra de outros produtos”, declarou a instituição.
Crédito consignado C6 sob pressão regulatória
O caso ocorre em um contexto de forte expansão da carteira do banco. Entre 2020 e 2025, o C6 faturou R$ 20 bilhões com consignados, saindo de 514 clientes para 3,3 milhões no período.
Esse crescimento contrasta com a atuação mais rigorosa de órgãos de controle. INSS, CGU e Polícia Federal ampliaram investigações sobre descontos não autorizados vinculados a benefícios previdenciários.
O histórico do banco também pesa no cenário. O C6 já foi condenado a indenizar aposentados por descontos sem contratação e firmou acordo com o Ministério Público Federal para interromper práticas irregulares.
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Impacto para aposentados
Os consignados da C6 Bank têm peso direto na renda de aposentados, já que as parcelas são descontadas automaticamente dos benefícios. Dessa forma, qualquer cobrança adicional reduz o valor disponível ao beneficiário.
A suspensão das operações indica maior rigor do INSS sobre práticas comerciais no segmento. Caso o banco não cumpra a devolução dos valores, o órgão poderá suspender repasses financeiros e ampliar sanções.
Empréstimos consignados sob revisão regulatória
No cenário mais amplo, a decisão aponta para revisão das regras e da fiscalização sobre o crédito consignado. A atuação conjunta de órgãos de controle sugere que outras instituições podem ser alvo de medidas semelhantes.
O episódio mostra que a expansão do consignado passou a conviver com maior exigência de conformidade. Os dados indicam que práticas que reduzam a renda do aposentado tendem a gerar bloqueios imediatos e custos relevantes para os bancos.