O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) colocou no ar, nesta terça-feira (17/03), os espelhos da redação do exame, mas o erro na nota do Enem 2025 ganhou dimensão nacional após candidatos identificarem divergências matemáticas nos documentos. Os espelhos, que deveriam detalhar a pontuação, apresentam somas incompatíveis com as notas finais.
A redação do Enem vale até 1.000 pontos e é composta por cinco competências, cada uma com pontuação de 0 a 200. No entanto, casos analisados mostram discrepâncias diretas. Em um exemplo, a soma das competências chega a 790 pontos, enquanto o boletim indica 880. Em outro, o cálculo totaliza 820, mas a nota final registrada foi 760.
Erro na nota do Enem 2025
Além disso, há registros em que a soma de 800 pontos aparece como 880 no resultado final. Outro caso mostra 830 pontos convertidos em 880 no boletim. Esses episódios indicam uma inconsistência na nota do Enem 2025, já que a divergência não depende de interpretação, mas de cálculo aritmético simples.
Outro ponto levantado envolve a conversão de percentuais. Em um dos exemplos, o espelho indica 90% de desempenho em uma competência — o equivalente a 180 pontos —, mas a nota atribuída foi 170. Em outro caso, o candidato aparece com 100% de aproveitamento, mas recebe 190 pontos, abaixo do máximo possível.
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Divergência nas notas do Enem
Essas falhas surgem em um sistema que prevê múltiplas camadas de correção. Cada redação passa por dois avaliadores independentes. Caso haja diferença superior a 100 pontos na nota total ou acima de 80 pontos em uma competência, o texto segue para um terceiro corretor. Se a divergência persistir, uma banca com três professores define o resultado final.
Mesmo com esse modelo, os dados observados apontam para falha posterior à correção, possivelmente na consolidação ou apresentação das notas. Essa hipótese ganha força porque os erros aparecem na soma final e na equivalência percentual, não na distribuição das competências.

Além disso, candidatos passaram a compartilhar os espelhos nas redes sociais, ampliando a repercussão do problema. A reportagem questionou o Inep, que não respondeu até a última atualização. O órgão também removeu publicações que anunciavam a liberação dos espelhos, sem justificativa pública.
A nota da redação do Enem não bate, segundo os próprios exemplos verificados, o que altera a natureza da contestação. Em vez de questionamento subjetivo, os casos expõem inconsistências verificáveis, com impacto direto na pontuação final dos candidatos.