A morte de uma profissional da saúde durante uma ação policial no Rio de Janeiro levou a uma resposta imediata da corporação. Na terça-feira (17/03), o caso da médica morta pela polícia levou ao afastamento dos agentes envolvidos e abriu uma investigação sobre a origem do disparo. A vítima, Andréa Marins Dias, de 61 anos, foi baleada no domingo (15/03), durante uma operação da Polícia Militar em Cascadura, na zona norte da capital.
Diante da repercussão, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) retirou os agentes do 9º BPM das atividades externas e instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD). Além disso, a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) conduz o inquérito e busca esclarecer as circunstâncias da ocorrência.
Médica morta pela polícia
Segundo a PMERJ, a equipe recebeu denúncias sobre assaltos envolvendo um veículo Corolla Cross. O carro da médica, um Toyota Corolla, apresentava características semelhantes. A corporação afirma que deu ordem de parada; no entanto, os suspeitos teriam reagido com disparos. Por isso, os policiais iniciaram uma perseguição com troca de tiros.
Durante a ação, o veículo apontado como suspeito percorreu ruas como Eufrásio Corrêa, Colúmbia, Goiás, Cupertino e Mendes até parar na Rua Palatinado. Ao chegar ao local, os policiais encontraram o carro da médica e localizaram a vítima já sem vida no banco do motorista, com uma perfuração causada por disparo de arma de fogo.
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Abordagem policial sob investigação
Apesar da versão apresentada pela corporação, a origem do tiro ainda não foi confirmada. A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) realizou perícia no local, e o laudo deve indicar de onde partiu o disparo que atingiu a vítima. Além disso, a própria PM declarou não ter confirmação de que o veículo da médica era o mesmo apontado nas denúncias.
Os policiais utilizavam câmeras corporais, o que permitiu o registro integral da ação. Em seguida, a equipe entregou as imagens e as armas para análise. Esse material, portanto, tornou-se central para reconstruir a dinâmica do caso.
A trajetória da vítima amplia o peso do episódio. Com 28 anos de atuação, Andréa era ginecologista, cirurgiã geral e oncológica, formada pela Uni-Rio. Além disso, mantinha atividade nas redes sociais, com mais de 2 mil seguidores, e produzia conteúdo voltado à saúde da mulher.
No plano institucional, o afastamento imediato dos policiais indica um padrão de resposta da corporação diante de ocorrências com morte. Nesse sentido, a médica morta pela polícia reforça a pressão por apuração técnica, especialmente quando há possibilidade de erro na identificação de veículos durante abordagens.