Ex-noiva de Vorcaro tem depoimento marcado na CPMI do INSS

A ex-noiva de Vorcaro será ouvida na CPMI do INSS, ampliando a investigação sobre consignados ao incluir relações pessoais e questões patrimoniais no foco da apuração.
Martha Graeff e Daniel Vorcaro juntos em registro anterior à convocação na CPMI do INSS
Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, será ouvida pela CPMI do INSS no caso dos consignados. Foto: Reprodução/@marthagraeff/Instagram

A ex-noiva de Vorcaro, Martha Graeff, será ouvida pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na próxima segunda-feira (23/03) após a comissão aprovar a convocação de nove pessoas ligadas à investigação de fraudes em empréstimos consignados. A decisão ocorreu na quinta-feira (12/03), com base na análise de 13 requerimentos pelos parlamentares.

Além disso, como se trata de convocação formal, Martha será obrigada a comparecer. O pedido partiu do deputado Kim Kataguiri (União-SP), que aponta a necessidade de esclarecer interações privadas relacionadas ao ex-controlador do Banco Master.

Ex-noiva de Vorcaro e a ampliação da investigação

A CPMI incluiu no mesmo pacote nomes diretamente ligados à estrutura do Banco Master. Entre os convocados estão os ex-diretores Ângelo Antônio Ribeiro da Silva e Luiz Antônio Bull, além de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

Com isso, a comissão desloca o foco da apuração. Em vez de se limitar aos contratos de crédito consignado, que envolvem descontos automáticos em aposentadorias do INSS, os parlamentares passam a investigar relações pessoais e conexões fora da estrutura formal das instituições financeiras.

Esse redesenho indica uma tentativa de mapear como decisões e interações ocorreram além do ambiente corporativo. A inclusão da antiga companheira de Vorcaro segue essa lógica, já que ela pode contribuir para identificar interlocutores e contextos de encontros privados.

A convocação também ocorre em meio a referências a investigações paralelas. O insumo menciona a operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e a prisão de Zettel na fase mais recente, pontos que exigem atribuição e reforçam a sobreposição entre esferas política e criminal.

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Depoimento de Martha Graeff na CPMI

A defesa de Graeff reagiu publicamente após a divulgação de informações envolvendo seu nome.

“Ela não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro,” afirmou o advogado Lúcio de Constantino em nota.

Segundo a defesa, a empresária também “não tem conhecimento sobre a existência de algum trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país” e declara integralmente seu patrimônio nos Estados Unidos, onde vive há cerca de 20 anos.

Além disso, o texto sustenta que “não houve nenhum aumento patrimonial em decorrência desse relacionamento” e afirma que a exposição de conversas privadas ocorreu de forma ilegal, classificando o episódio como “uma violência, além de totalmente ilegal”.

Por fim, a nota diz que Martha está “à inteira disposição das autoridades brasileiras para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.

Esse avanço sinaliza que a investigação sobre consignados tende a ganhar complexidade. Ao incorporar elementos patrimoniais e relações pessoais, a CPMI amplia seu alcance e aumenta a pressão sobre agentes ligados ao sistema financeiro.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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