A ex-noiva de Vorcaro, Martha Graeff, será ouvida pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na próxima segunda-feira (23/03) após a comissão aprovar a convocação de nove pessoas ligadas à investigação de fraudes em empréstimos consignados. A decisão ocorreu na quinta-feira (12/03), com base na análise de 13 requerimentos pelos parlamentares.
Além disso, como se trata de convocação formal, Martha será obrigada a comparecer. O pedido partiu do deputado Kim Kataguiri (União-SP), que aponta a necessidade de esclarecer interações privadas relacionadas ao ex-controlador do Banco Master.
Ex-noiva de Vorcaro e a ampliação da investigação
A CPMI incluiu no mesmo pacote nomes diretamente ligados à estrutura do Banco Master. Entre os convocados estão os ex-diretores Ângelo Antônio Ribeiro da Silva e Luiz Antônio Bull, além de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
Com isso, a comissão desloca o foco da apuração. Em vez de se limitar aos contratos de crédito consignado, que envolvem descontos automáticos em aposentadorias do INSS, os parlamentares passam a investigar relações pessoais e conexões fora da estrutura formal das instituições financeiras.
Esse redesenho indica uma tentativa de mapear como decisões e interações ocorreram além do ambiente corporativo. A inclusão da antiga companheira de Vorcaro segue essa lógica, já que ela pode contribuir para identificar interlocutores e contextos de encontros privados.
A convocação também ocorre em meio a referências a investigações paralelas. O insumo menciona a operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e a prisão de Zettel na fase mais recente, pontos que exigem atribuição e reforçam a sobreposição entre esferas política e criminal.
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Depoimento de Martha Graeff na CPMI
A defesa de Graeff reagiu publicamente após a divulgação de informações envolvendo seu nome.
“Ela não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro,” afirmou o advogado Lúcio de Constantino em nota.
Segundo a defesa, a empresária também “não tem conhecimento sobre a existência de algum trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país” e declara integralmente seu patrimônio nos Estados Unidos, onde vive há cerca de 20 anos.
Além disso, o texto sustenta que “não houve nenhum aumento patrimonial em decorrência desse relacionamento” e afirma que a exposição de conversas privadas ocorreu de forma ilegal, classificando o episódio como “uma violência, além de totalmente ilegal”.
Por fim, a nota diz que Martha está “à inteira disposição das autoridades brasileiras para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.
Esse avanço sinaliza que a investigação sobre consignados tende a ganhar complexidade. Ao incorporar elementos patrimoniais e relações pessoais, a CPMI amplia seu alcance e aumenta a pressão sobre agentes ligados ao sistema financeiro.