Delação de Vorcaro: advogado do ex-banqueiro procura PF e STF para negociar acordo

A delação de Vorcaro avança em meio a bloqueios bilionários e pode ampliar o alcance das investigações sobre o Banco Master e agentes públicos envolvidos.
Daniel Vorcaro ao lado de tela com logo do Banco Master durante investigação
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio às investigações que podem avançar com acordo de delação. Foto: Reprodução/Banco Master

O advogado de Daniel Vorcaro procurou, nas últimas horas, a Polícia Federal (PF) e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tratar da delação de Vorcaro como possível acordo no âmbito das investigações sobre o Banco Master nesta quarta-feira (18/03).

A iniciativa ocorre após a manutenção da prisão de Daniel Vorcaro e a troca na equipe de defesa. José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, assumiu o caso e buscou interlocução com investigadores e com o relator no STF, sinalizando interesse formal em um acordo de colaboração.

Delação de Vorcaro e avanço do inquérito

Além das tratativas, Mendonça determinou a prorrogação do inquérito por mais 60 dias, atendendo a pedido da PF. Segundo o magistrado, a medida visa permitir “diligências reputadas imprescindíveis” para esclarecer os fatos.

Esse movimento ocorre sob pressão financeira e judicial. As apurações apontam prejuízos acima de R$ 12 bilhões. Decisões judiciais já bloquearam R$ 5,7 bilhões em janeiro de 2026 e até R$ 22 bilhões na fase mais recente.

A defesa não comenta o caso por “sensibilidade”, segundo o advogado. Ainda assim, interlocutores indicam, de acordo com a TV Globo, que o banqueiro estaria disposto a colaborar sem restrições, o que exige atribuição.

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Colaboração premiada no caso Master

A delação de Vorcaro surge em um momento de expansão da investigação. Inicialmente focada em operações com o Banco de Brasília (BRB), a apuração passou a incluir suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção.

Também entram na lista gestão temerária e obstrução de justiça. Além disso, a PF investiga a fabricação de carteiras de crédito falsas e o desvio de recursos para patrimônio pessoal.

Em janeiro, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão. Na ocasião, agentes apreenderam bens, incluindo veículos de luxo e dinheiro em espécie. Na fase mais recente, em março, investigadores identificaram o grupo “A Turma”. Segundo a PF, trata-se de uma estrutura voltada à intimidação de adversários e jornalistas, o que também exige atribuição formal.

Outro eixo da apuração envolve servidores do Banco Central. De acordo com a PF, eles teriam atuado como “consultores privados”, antecipando informações regulatórias em troca de vantagens indevidas.

A delação de Vorcaro tende a ganhar peso nesse contexto. Isso ocorre porque o inquérito ainda não chegou à fase de denúncia. Avaliações indicam que a negociação deve ocorrer diretamente com a PF. A corporação concentra maior volume de informações até o momento. No plano estratégico, a troca de advogados reforça esse caminho. Juca tem histórico em acordos de colaboração, como no caso de Léo Pinheiro.

Esse movimento sinaliza mudança na condução da defesa. A delação de Vorcaro pode acelerar as investigações e ampliar seu alcance. Os dados indicam uma nova etapa do caso. Informações internas podem redefinir responsabilidades e expor conexões ainda não formalizadas.

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Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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