A aceleração do comércio eletrônico no Brasil já altera o mercado imobiliário industrial. Nesse contexto, a demanda por galpões logísticos antecipa contratos e pressiona preços antes mesmo da entrega dos empreendimentos nesta quarta-feira (18/03). Segundo a Binswanger Brazil, cerca de um terço dos 3,7 milhões de metros quadrados previstos para 2026 já está pré-locado.
Diante desse cenário, empresas ligadas ao varejo digital passaram a garantir espaço com antecedência. Dessa forma, reduzem o risco de vacância e mudam o ritmo tradicional de ocupação. Além disso, a antecipação acelera a geração de receita para incorporadores e reorganiza as negociações no setor.
Demanda por galpões logísticos
No campo de preços, a procura por galpões industriais já aparece nos valores praticados. Atualmente, o metro quadrado nos novos projetos atinge R$ 35. Esse patamar supera a média atual de R$ 29. Por isso, segundo projeções, o valor médio deve ultrapassar R$ 30 ainda no primeiro trimestre de 2026.
Ao mesmo tempo, a oferta limitada em regiões estratégicas amplia essa pressão. Assim, o ajuste de preços ocorre ainda na fase de desenvolvimento. Antes, esse movimento acontecia após a entrega. Agora, portanto, passa a ocorrer de forma antecipada.
A distribuição regional também mostra concentração. Nesse sentido, o Sudeste reúne 2,1 milhões de metros quadrados do novo estoque. Já o Nordeste soma 855 mil metros quadrados. Dessa maneira, a divisão acompanha o peso econômico e a expansão de polos ligados à infraestrutura logística.
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Procura por galpões logísticos
O histórico recente reforça esse quadro. Em 2025, o mercado recebeu 3,2 milhões de metros quadrados. Assim, foi o segundo maior volume da série histórica. O recorde segue com 2022, que atingiu 3,6 milhões.
Mesmo com a expansão da oferta, a taxa de vacância caiu para 7,5%. Ou seja, esse é o menor nível já registrado. Segundo Paulo Izuka, da Landsight, “em 2025, a média de pré-locações chegou a 50%. Este ano, a tendência é de a fatia crescer conforme 2026 avança”.
Nesse ambiente, a demanda por galpões logísticos indica uma mudança estrutural no setor. Primeiro, contratos antecipados reduzem a disponibilidade de espaços. Além disso, cresce a disputa por ativos bem localizados. Por fim, esse padrão se conecta à logística de última milha e à busca por eficiência. Assim, o mercado passa a definir preços antes mesmo da conclusão das obras.