A deputada estadual Fabiana Bolsonaro fez ‘blackface’ durante sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), nesta quarta-feira (18/03), e o episódio rapidamente gerou reação institucional e pedidos de investigação. A deputada utilizou tinta escura no rosto e no corpo enquanto discursava em plenário, o que levou colegas a classificarem o ato como racismo e transfobia.
Durante a fala, a parlamentar afirmou que realizava um “experimento social” para criticar a eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Segundo ela, a intenção era comparar identidade racial com identidade de gênero, ao questionar se a aparência alteraria a vivência social.
Fabiana Bolsonaro faz ‘blackface’ e ato em plenário leva caso à Ética
A reação foi imediata. A deputada Mônica Seixas (PSOL-SP) pediu a interrupção da sessão e afirmou que o plenário assistia a um “caso de polícia”. Já Beth Sahão (PT-SP) apresentou representação no Conselho de Ética da Alesp, alegando crimes de racismo e transfobia.
Além disso, a deputada Ediane Maria (PSOL-SP) anunciou que levará o caso ao Ministério Público. Para ela, houve quebra de decoro e prática de crime em flagrante. As acusações se baseiam no entendimento de que o Supremo Tribunal Federal (STF) equipara a transfobia ao racismo desde 2019.
Veja o vídeo:
No centro da controvérsia está a escolha de Erika Hilton para comandar a comissão na Câmara. O PSOL fez a indicação dentro de um acordo interno de distribuição de colegiados, mas a decisão gerou resistência entre parlamentares conservadores, que questionam sua legitimidade no cargo.
Ao tentar justificar o ato, Fabiana Bolsonaro afirmou que, mesmo ao se pintar, não poderia compreender a experiência de pessoas negras. Em seguida, aplicou o mesmo raciocínio para sustentar que mulheres trans não deveriam ocupar determinados espaços ligados a pautas femininas, como parto, amamentação, menopausa e endometriose.
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O que é ‘Blackface’?
O termo blackface refere-se à prática de pintar o rosto ou o corpo com tinta escura para representar pessoas negras. A prática surgiu nos Estados Unidos por volta de 1830 e artistas a utilizaram em espetáculos para caricaturar e ridicularizar pessoas negras, associando-as a estereótipos negativos.
Por esse histórico, pesquisadores eentidades consideram o ‘blackface’ uma expressão de racismo, ligada à deslegitimação social e à negação de direitos.
No Brasil, a prática também se incorporou a contextos culturais e pesquisadores a criticam amplamente. O professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Juarez Xavier, aponta queesse tipo de representação cria estereótipos que legitimam desigualdades sociais.