Vídeos da Operação Contenção ficam inacessíveis à PF e Moraes cobra governo do RJ

Vídeos da Operação Contenção terão novo envio após decisão de Moraes, que cobra formato adequado para permitir análise técnica pela Polícia Federal.
vítimas da Operação Contenção em comunidade do Rio durante ação policial
Moradores se reúnem após operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou mais de 120 mortos. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Os vídeos da Operação Contenção, ação policial realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão com mais de 120 mortos, terão de ser enviados em novo formato à Polícia Federal (PF) após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada na terça-feira (17/03). O despacho determina o envio, em até cinco dias, de 945 arquivos em mídia física, no formato original e sem qualquer alteração.

Moraes tomou a decisão após a PF informar ao STF que não conseguiu acessar os arquivos disponibilizados anteriormente. Segundo o órgão, o material estava restrito à visualização online, sem possibilidade de download, o que impediu a análise técnica e comprometeu o acesso integral ao conteúdo.

Vídeos da Operação Contenção e exigência técnica do STF

Diante do entrave, Moraes determinou que os arquivos sejam entregues com garantias de integridade. O governo do Rio deverá fornecer os códigos de verificação dos dados e, se necessário, os programas para leitura dos arquivos, assegurando condições técnicas adequadas para a análise.

“Diante desses entraves, […] mostra-se necessário que o material seja disponibilizado de forma a permitir o trabalho pericial em sua integralidade”, afirmou o ministro.

A decisão também reforça a necessidade de preservação da cadeia de custódia das imagens. Além disso, o prazo de 15 dias para a conclusão da perícia foi mantido, mas passa a contar apenas após o recebimento correto dos arquivos. Isso condiciona o avanço da análise ao cumprimento das exigências impostas pelo STF.

A medida se insere no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635 (ADPF 635), que estabelece diretrizes para operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro e amplia o controle judicial sobre esse tipo de ação.

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Operação policial e dados da ação no Rio

A Operação Contenção foi deflagrada a partir de investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes contra integrantes do Comando Vermelho (CV). A ação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes nos complexos da Penha e do Alemão.

A dimensão da operação aparece também nos dados operacionais e no volume de apreensões:

  • Escala judicial e prisões
    • Foram cumpridos 180 mandados de busca e apreensão
    • A Justiça expediu 100 mandados de prisão:
      • 70 no Rio de Janeiro
      • 30 no Pará
    • Ao todo, a operação prendeu 113 pessoas.
  • Apreensão de armamento
    • As forças de segurança recolheram 118 armas de fogo:
      • 91 fuzis
      • 26 pistolas
      • 1 revólver
    • O volume está entre os maiores já registrados em uma única ação policial no estado, segundo autoridades.

O número de mortos varia nas versões oficiais, entre 121 e 122 vítimas, incluindo quatro ou cinco policiais. O Ministério Público Federal (MPF) apontou ao menos duas mortes consideradas atípicas, o que elevou a pressão por esclarecimentos sobre a conduta da operação.

Leitura sobre acesso a provas e controle judicial

A exigência sobre os vídeos da Operação Contenção desloca o foco do caso para as condições técnicas de acesso às provas.O caso desloca o foco para não apenas o conteúdo das imagens, mas também para a forma como as autoridades preservam e disponibilizam esse material.

Ao definir critérios técnicos mais rígidos para o envio do material, o STF sinaliza maior controle sobre provas digitais em operações policiais de grande escala. A análise dos vídeos da Operação Contenção tende a influenciar como o STF e outros órgãos avaliarão futuras ações dentro das regras da ADPF 635.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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