Operação da PM no Rio deixa 7 mortos e paralisa região central

A operação da PM no Rio deixou ao menos 7 mortos, afetou o transporte e expôs impacto urbano imediato e falhas na consolidação inicial de dados.
operação da PM no Rio com ônibus incendiado e imagem de Jiló dos Prazeres - Reprodução/Redes Sociais
Ônibus incendiado durante operação da PM no Rio que deixou ao menos sete mortos; à esquerda, Jiló dos Prazeres, um dos alvos da ação - Reprodução/Redes Sociais

Em meio a uma nova ofensiva contra o tráfico na região central, uma operação da PM no Rio deixou ao menos sete mortos nesta quarta-feira (18/03) e provocou bloqueios em vias estratégicas da cidade, após confrontos em áreas como Santa Teresa e Rio Comprido. Entre os mortos está Cláudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló dos Prazeres, de 55 anos, apontado como chefe do tráfico no Morro dos Prazeres. Ele acumulava 135 anotações criminais desde a década de 1990 e tinha mandados de prisão em aberto, segundo dados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

A ação integra uma estratégia mais ampla de repressão a redes ligadas ao Comando Vermelho (CV) e mobilizou mais de 150 policiais, com apoio de 14 viaturas e dois blindados, para cumprir 28 mandados de prisão contra suspeitos de tráfico de drogas e roubo de veículos.

Operação da PM no Rio

No entanto, o número de mortos na operação da PM no Rio ainda apresenta variações nas primeiras informações. Há registros de seis suspeitos mortos, além de um morador identificado como Leandro Silva Souza, totalizando sete vítimas. Por outro lado, outras versões iniciais indicam até oito mortos, o que expõe inconsistências na consolidação dos dados nas primeiras horas.

Em seguida, a reação armada ocorreu de forma imediata após o avanço das equipes. Criminosos utilizaram ônibus como barricadas no Rio Comprido, retirando chaves de veículos e bloqueando vias. Além disso, um coletivo foi incendiado na Avenida Paulo de Frontin, ampliando o alcance dos efeitos da ação.

Com isso, o impacto da operação policial no Rio atingiu diretamente a mobilidade urbana. Entre 8 e 10 linhas de ônibus sofreram desvios, e vias como Barão de Petrópolis, Itapiru e trechos da Paulo de Frontin foram interditadas. Diante desse cenário, a prefeitura orientou motoristas a evitarem a região.

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Ação policial no Rio de Janeiro

O histórico do principal alvo ajuda a dimensionar o perfil da ofensiva. Jiló atuava desde os anos 1990 e respondia por crimes como homicídio, sequestro, cárcere privado e tráfico. Além disso, investigações anteriores também o ligavam a pontos de venda de drogas na área central da cidade.

Posteriormente, em 2024, uma operação da Polícia Civil apreendeu cinco toneladas de entorpecentes no Fallet, carga atribuída ao grupo ao qual ele estava ligado. Esse volume indica uma estrutura logística ativa mesmo após sucessivas ações policiais.

Ainda assim, a operação da PM no Rio, com ao menos sete mortos, também expõe dificuldades na consolidação de informações oficiais em tempo real, com divergências sobre vítimas, mandados e impactos urbanos ainda em apuração.

Por fim, ao reunir alto número de mortos, bloqueios viários e reação coordenada com barricadas, a operação desta quarta-feira indica que ações desse porte seguem produzindo efeitos imediatos sobre a rotina urbana e reforçam a permanência de estruturas criminosas com capacidade de resposta mesmo sob pressão estatal.

Foto de Jussier Lucas

Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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