A escalada militar entre Irã e Israel levou o petróleo acima 115 dólares nesta quinta-feira (19/03), após ataques diretos a instalações estratégicas de energia no Oriente Médio. Nesse contexto, o barril do Brent atingiu US$ 115,10, enquanto o WTI chegou a US$ 100,02 no intradiário, refletindo uma reprecificação imediata do risco global por parte dos investidores.
Por volta das 7h52, o Brent avançava 6,58%, a US$ 114,45, no maior nível desde 9 de março. Já o WTI subia 1,05%, a US$ 96,46. Além disso, o diferencial entre os dois contratos alcançou o maior patamar em 11 anos, influenciado pela liberação de reservas estratégicas dos Estados Unidos e por custos logísticos mais elevados fora do mercado americano.
Petróleo acima 115 dólares
A sequência de ataques explica a reação dos preços. Primeiro, Israel atingiu o campo de gás South Pars. Em seguida, o Irã respondeu com ofensivas contra instalações energéticas no Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. No Kuwait, por exemplo, duas refinarias foram atingidas por drones e registraram incêndios, o que ampliou a percepção de risco sobre a oferta global.
Ao mesmo tempo, a estatal QatarEnergy relatou “danos extensos” em Ras Laffan, complexo responsável por cerca de 20% do gás natural liquefeito consumido no mundo. Dessa forma, o impacto se estende além do petróleo e alcança toda a cadeia energética.
Além disso, a alta também atingiu o gás natural. Na Europa, os contratos chegaram a subir 35% nas primeiras horas do dia e, posteriormente, mantinham avanço de cerca de 16% por volta das 8h20. Com isso, cresce a pressão sobre setores como indústria, transporte e geração elétrica, que dependem diretamente do GNL do Catar.
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Preço do petróleo elevado
Diante desse cenário, investidores passaram a precificar um risco geopolítico mais amplo. Como resultado, bolsas globais reagiram negativamente: o Nikkei caiu 3,4%, enquanto mercados europeus registraram perdas superiores a 2%. Nos Estados Unidos, por sua vez, os índices futuros também operavam em queda.
Segundo Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, a combinação de ataques e instabilidade política aponta para risco de interrupção prolongada no fornecimento. Assim, a avaliação reforça que o atual nível de preços reflete uma ameaça concreta à oferta global de energia.
No campo diplomático, 12 países árabes e islâmicos se reuniram em Riad e condenaram os ataques iranianos, pedindo a interrupção imediata das ofensivas. Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país não participou das ações e defendeu que Israel não volte a atingir South Pars.
No Brasil, a alta internacional tende a pressionar os preços de combustíveis, como gasolina e diesel, com impacto direto no transporte e nos custos logísticos. Por isso, há risco de repasse ao consumidor e efeito nos preços de produtos.
Dessa maneira, o avanço do petróleo acima 115 dólares indica uma mudança na leitura de risco dos mercados. Ou seja, não se trata apenas de volatilidade pontual, mas da possibilidade de interrupção relevante na oferta global de energia, com reflexos diretos sobre inflação e atividade econômica.