Nesta sexta-feira (20/03) a patente do ozempic expirou no Brasil, encerrando cerca de 20 anos de exclusividade sobre a semaglutida. A mudança altera a estrutura do mercado farmacêutico, ao permitir a entrada de novos fabricantes e ao abrir espaço para possível redução de preços, ainda que condicionada a etapas regulatórias.
Esse cenário já gera reação imediata da indústria. Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa 8 pedidos de novos medicamentos. Além disso, outros 9 aguardam início de avaliação. O primeiro registro foi solicitado no final de 2023. Desde então, a maioria dos processos chegou ao longo de 2025, indicando antecipação das empresas.
Patente do ozempic
A expiração segue decisão judicial alinhada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse sentido, a Corte rejeitou a extensão indefinida de patentes. Segundo a ministra Isabel Gallotti, prorrogações podem elevar custos e restringir o acesso a medicamentos.
Mesmo assim, a liberação jurídica não garante entrada imediata de concorrentes. De acordo com a advogada Giovanna Vasconcellos, a perda da proteção principal não assegura exploração irrestrita. Isso ocorre porque patentes secundárias e exigências técnicas ainda limitam a atuação das empresas.
Além disso, o filtro regulatório permanece decisivo. Por exemplo, a Anvisa exige comprovação de segurança, eficácia e qualidade. Atualmente, dois pedidos estão em exigência, com prazo até junho de 2026. Enquanto isso, outros processos devem receber decisão até o fim de abril. Assim, eles podem ser aprovados, rejeitados ou exigir novos dados.
Alternativas ao ozempic genérico
No exterior, por outro lado, a Índia oferece um indicativo claro. Lá, versões genéricas começaram a ser vendidas no mesmo dia do fim da patente. Os preços partem de 1.290 rúpias (cerca de R$ 75 por mês). Em contraste, o Wegovy custa cerca de 10.480 rúpias. Portanto, a diferença mostra o potencial de redução com a concorrência.
Além disso, a disputa global deve ganhar escala rapidamente. Estimativas indicam até 42 fabricantes e mais de 50 marcas. Com isso, a oferta tende a crescer de forma relevante. No entanto, a competição não se limita ao preço. Também envolve formatos de aplicação e estratégias de fidelização do paciente.
No Brasil, por sua vez, a patente do ozempic deixa de ser a principal barreira. Ainda assim, o intervalo entre o fim jurídico e a oferta continua. Isso ocorre devido à regulação e à complexidade técnica dos produtos.
Leia também:
Versões similares da semaglutida
Ao mesmo tempo, especialistas alertam para o uso indiscriminado das canetas emagrecedoras. Nesse contexto, a preocupação cresce com a possível ampliação da oferta. Por isso, a Anvisa mantém restrições à manipulação da substância. Além disso, entidades médicas defendem controle rigoroso para reduzir riscos.
Nesse ambiente de transição, a patente do ozempic perde o papel de bloqueio. Em contrapartida, ganham peso a regulação e a capacidade industrial. Assim, a queda de preços tende a ocorrer, segundo especialistas. No entanto, esse processo deve ser gradual.
Por fim, o fim da exclusividade indica uma mudança estrutural. Dessa maneira, a semaglutida entra em um ciclo de maior concorrência global. Portanto, preço, acesso e regulação passam a definir o ritmo do mercado e seus efeitos sobre pacientes e sistemas de saúde.