Em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e aos impactos diretos no mercado global de energia, o preço do diesel no Brasil chegou a R$ 7,22 nesta quarta-feira (19/03). Desde o fim de fevereiro, quando o litro custava R$ 5,74, o combustível avançou rapidamente e reposicionou o custo do transporte no país.
Além disso, o preço do diesel sobe de forma disseminada e em ritmo acelerado, o que reforça a sensibilidade do mercado interno a choques externos. Ao mesmo tempo, os aumentos atingem diferentes regiões com intensidade elevada, consolidando um novo patamar para o combustível no curto prazo.
Preço do diesel
A TruckPag, empresa de gestão de frotas, levantou os dados com base em mais de 143 mil transações realizadas em 4.664 postos. Desse total, cerca de 94% ficam em rodovias, o que reforça o peso do abastecimento voltado ao transporte de cargas.
Além disso, caminhões responderam por 81,9% das transações nos últimos 30 dias. Esse recorte mostra que o aumento no valor do combustível pressiona diretamente a estrutura de custos logísticos e tende a se espalhar pelas cadeias de distribuição.
Por outro lado, a diferença entre dados privados e registros oficiais chama atenção. Na última semana, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registrou alta de 11% no diesel em relação à semana anterior.
No entanto, a ANP coleta os preços nos três primeiros dias úteis da semana e divulga os dados geralmente na sexta-feira. Por isso, esse intervalo reduz a capacidade de capturar oscilações rápidas, como as observadas desde o início do conflito.
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Valor do diesel no Brasil
Na análise regional, o aumento do preço do diesel aparece de forma ampla, mas com intensidades distintas. Desde 28 de fevereiro, Tocantins registrou alta de 37,1%, a maior do país. Enquanto isso, no Nordeste, o Piauí apresentou aumento de 28%.
Já no Centro-Oeste, Goiás teve elevação de 29,2%. No Sudeste, São Paulo lidera com alta de 27%. Por sua vez, Santa Catarina registra o maior avanço no Sul, com 29,9%, o que reforça a pressão generalizada, ainda que com variações locais.
Dessa forma, o preço do diesel não apenas sobe, mas passa a operar em um novo nível, com impacto direto sobre transportadoras e caminhoneiros. Como resultado, cresce o risco de repasse ao frete e, posteriormente, aos preços finais de produtos.
Por fim, diante da escalada recente e da ligação direta com o ambiente internacional, o preço do diesel indica pressão contínua sobre os custos logísticos no Brasil. Assim, o dado sugere possível avanço inflacionário no curto prazo e maior cautela nas decisões de transporte e distribuição.