O ator Juca de Oliveira morreu aos 91 anos na madrugada deste sábado (21/03), em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês. O quadro clínico incluía pneumonia e problemas cardiológicos. Assim, sua morte encerra uma trajetória que atravessou teatro, televisão e organização da classe artística no país.
Internado desde o dia 13/03, o ator estava em estado delicado. A família confirmou a morte nas primeiras horas do dia. Além disso, o velório ocorre neste sábado, das 15h às 21h, na Bela Vista. Já o sepultamento está marcado para domingo (22/03), às 11h, no Cemitério do Araçá.
Juca de Oliveira
Ao longo de mais de 60 anos de carreira, o ator manteve presença contínua na dramaturgia brasileira. Foram mais de 40 anos na televisão. Também participou de mais de 30 novelas e minisséries. Além disso, atuou em mais de 60 peças de teatro. Dessa forma, consolidou uma trajetória que liga o teatro à televisão aberta no Brasil.
Por outro lado, sua atuação não se limitou aos palcos. Em 1968, assumiu o Sindicato dos Atores de São Paulo. A partir disso, ajudou na regulamentação da profissão. Entre as medidas, estão o limite de horas de gravação e a entrega de textos com 72 horas de antecedência. Essas regras seguem presentes no setor.
Leia também:
Ator Juca de Oliveira
A carreira do ator Juca de Oliveira começou no teatro. Ele deixou um emprego em banco e o curso de Direito na Universidade de São Paulo (USP). Em seguida, ingressou na Escola de Arte Dramática. Depois, entrou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Lá, participou de peças como “A Semente” e “A Morte do Caixeiro Viajante”.
Na televisão, estreou em 1964, na TV Tupi. Com o tempo, ampliou sua presença em diferentes emissoras. Trabalhou na Globo, no SBT e na Bandeirantes. Entre os papéis mais conhecidos, está o cientista Albieri, em “O Clone” (2001). Além disso, participou de “Saramandaia” (1976), “Fera Ferida” (1993) e “Avenida Brasil” (2012).
Durante a ditadura militar, o ator também teve atuação política. Por isso, acabou se exilando na Bolívia. Depois, retornou ao Brasil e retomou a carreira. Nesse período, participou da reorganização do setor cultural. Atuou ao lado de nomes como Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.
Nos últimos anos, manteve atividades no teatro. Também participou de documentários lançados em 2024 e 2025. Seu último trabalho na televisão foi em “O Outro Lado do Paraíso”, exibida em 2017.