Novo remédio contra obesidade surge de estudo com pítons e pode mudar tratamentos

Novo remédio contra obesidade surge de molécula em pítons que reduz apetite sem efeitos comuns, apontando nova rota além do GLP-1.
píton enrolada destacando estudo que inspirou novo remédio contra obesidade - Foto: Freepik
Pesquisa com pítons identifica substância ligada ao controle do apetite e perda de peso - Foto: Freepik

Novo remédio contra obesidade entra no radar da ciência neste domingo (22/03) após um estudo publicado na revista Nature Metabolism identificar uma molécula presente no sangue de pítons capaz de reduzir o apetite e induzir perda de peso em testes com animais. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade do Colorado em Boulder (CU Boulder), ocorre em um momento de expansão global do uso de medicamentos para emagrecimento, hoje liderados por compostos baseados em GLP-1.

Nesse ambiente de alta demanda por terapias mais eficazes, a descoberta ganha relevância por apontar um caminho distinto dos tratamentos atuais. Enquanto fármacos como a semaglutida dominam o mercado, seus efeitos adversos — incluindo náuseas e perda de massa muscular — mantêm a pressão por alternativas com melhor tolerabilidade.

Novo remédio contra obesidade

O composto identificado, chamado para-tiramina-O-sulfato (pTOS), apresentou níveis até 1.000 vezes maiores no sangue das pítons após alimentação. Em experimentos com camundongos, a substância atuou diretamente no hipotálamo, região responsável pelo controle do apetite, levando à redução da ingestão de alimentos e à perda de peso.

Além disso, os testes não registraram efeitos como náusea, queda de energia ou perda muscular — fatores que limitam o uso de terapias atuais. Segundo os pesquisadores da CU Boulder, os resultados indicam uma via metabólica distinta da explorada pelos medicamentos baseados em hormônios.

Esse mecanismo reforça o interesse em um tratamento para obesidade que vá além da regulação hormonal tradicional. Ao atuar sobre respostas metabólicas associadas à digestão, o pTOS amplia o escopo de pesquisa em terapias contra o excesso de peso.

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O ponto de partida da investigação foi o metabolismo extremo das pítons. Esses animais conseguem ingerir presas inteiras e permanecer semanas — ou até meses — sem se alimentar, mantendo estabilidade fisiológica. Após a refeição, o organismo passa por alterações intensas: o coração pode aumentar cerca de 25%, enquanto o metabolismo acelera milhares de vezes.

Nesse contexto, os cientistas identificaram 208 metabólitos com aumento após a alimentação. O pTOS se destacou não apenas pelo volume, mas também pelo impacto direto no controle do apetite observado nos testes.

Outro aspecto relevante envolve a origem da substância. O pTOS é produzido por bactérias intestinais das serpentes, o que reforça o papel da microbiota no equilíbrio metabólico. Em humanos, o composto aparece em pequenas quantidades na urina, com leve elevação após refeições.

Apesar dos resultados, a pesquisa ainda está restrita a testes em animais e requer novas etapas antes de aplicação clínica. Ainda assim, o avanço reposiciona a discussão sobre novo remédio contra obesidade, ao indicar que soluções fora do eixo hormonal podem ganhar espaço. Ao integrar microbiota, metabolismo e controle do apetite, o estudo sugere uma inflexão na estratégia científica e sinaliza possível reconfiguração do mercado de terapias para obesidade nos próximos anos.

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Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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