Em meio às investigações sobre fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o leilão de carros autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) neste sábado (21/03) marca uma inflexão na gestão de bens apreendidos, ao permitir a venda antecipada de veículos de alto padrão ligados ao caso.
A decisão do ministro André Mendonça determina que 10 veículos de luxo sejam levados a leilão, enquanto outros seis passam a integrar a frota da Polícia Federal (PF). Assim, o Judiciário busca preservar valor econômico durante a tramitação do processo, diante de indícios de prejuízos expressivos aos cofres públicos.
Leilão de carros
Os bens apreendidos revelam a dimensão patrimonial dos investigados. Entre os modelos estão uma Lamborghini Urus S avaliada em R$ 2.441.976,30, um Porsche 911 Car GTS de R$ 1.126.137,60 e um Porsche Taycan de R$ 763.425,00. Também aparecem veículos como BMW M3 Competition (R$ 581.732,10) e Audi TT RS5 (R$ 505.465,00).
Além disso, a lista inclui automóveis de menor valor, como um VW Polo de R$ 60.438,60 e motos que partem de R$ 69.715,00. No conjunto, os ativos reforçam a leitura de que o esquema operava com base em uma estrutura financeira ampla.
Parte dessa frota pertence ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Também há veículos ligados ao empresário Maurício Camisotti, à empresária Cecília Montalvão Simões e a empresas associadas ao grupo investigado.
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Venda de veículos apreendidos
Ao autorizar a alienação antecipada, o STF adota uma estratégia para evitar a desvalorização dos bens ao longo do processo judicial. Segundo a Polícia Federal, a medida reduz custos de manutenção e pode ampliar a recuperação de recursos públicos ao final das investigações.
Nesse sentido, Mendonça afirmou que a decisão protege o interesse da União e o valor patrimonial dos ativos. Dessa forma, evita-se que os veículos percam utilidade econômica até a conclusão do processo.
Ao mesmo tempo, o leilão de carros não esgota a destinação dos bens. Seis veículos foram incorporados à PF, incluindo uma Land Rover Velar blindada e uma BMW X1, que poderão ser utilizados em operações de risco, vigilância e ações sigilosas.
Além disso, a decisão mantém o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 53 milhões. O ministro também negou o desbloqueio de R$ 156 mil solicitado pela defesa do lobista, bem como a devolução de veículos, ao entender que há indícios de ligação com as irregularidades investigadas.
No contexto das investigações sobre a chamada “farra do INSS”, o leilão de carros sinaliza uma mudança prática na condução de ativos apreendidos. Ao antecipar a conversão e o uso desses bens, o Judiciário indica uma atuação mais ativa na preservação de valor e na recomposição potencial de recursos públicos desviados.