A renúncia de Cláudio Castro está prevista para esta segunda-feira (23/03), no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, na véspera do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode cassar seu mandato. O placar atual está em 2 a 0 pela condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
O processo avança e pressiona o governador. Por isso, a saída ocorre em meio à investigação sobre o uso da estrutura do Estado na campanha. Mesmo fora do cargo, Castro seguirá respondendo à ação. Além disso, o TSE ainda pode torná-lo inelegível até 2030, o que afeta seus planos de disputar o Senado em 2026.
Renúncia de Cláudio Castro
As investigações apontam o uso de órgãos estaduais durante o período eleitoral. Segundo os autos, a Fundação Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) teriam contratado cerca de 27 mil servidores temporários. Parte desses trabalhadores, conforme a apuração, atuou como cabos eleitorais. Assim, recursos públicos teriam beneficiado candidaturas.
No TSE, o julgamento já indica tendência desfavorável. A relatora, ministra Isabel Gallotti, votou pela cassação e pela inelegibilidade. Em seguida, o ministro Antonio Carlos Ferreira acompanhou o voto. Ele citou a existência de um “método estruturado de promoção pessoal”. O julgamento começou em novembro de 2025. Depois disso, um pedido de vista interrompeu a análise, que será retomada na terça-feira (24/03).
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Saída do governador do RJ
A saída também altera imediatamente o comando do estado. Como o vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo em 2025 para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), o Rio passará a ser governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto.
Nesse cenário, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) terá de realizar uma eleição indireta. O objetivo é escolher quem governará até janeiro. No entanto, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) geram dúvidas sobre as regras desse processo. Dessa forma, cresce a incerteza institucional no estado.
Além disso, a decisão provoca reação política imediata. O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo do Rio, afirmou nas redes sociais que Castro estaria “fugindo da justiça”. Ele também disse que o governador “desrespeita a justiça com os crimes que cometeu”.
Apesar da pressão judicial, Castro ainda mantém força eleitoral. Pesquisa Real Time Big Data, feita com 2 mil eleitores entre 9 e 10 de março, mostra o ex-governador com 23% das intenções de voto ao Senado. Sem Marcelo Crivella, ele chega a 24%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
A renúncia de Cláudio Castro reorganiza o comando do Rio de Janeiro em meio à pressão do TSE. Ao mesmo tempo, mantém aberto o risco jurídico. Com dois votos pela condenação, o tribunal deve definir se o ex-governador poderá disputar 2026. Além disso, o caso indica maior rigor sobre o uso da estrutura pública em campanhas eleitorais.