Em meio à apuração sobre acesso ilegal a dados fiscais de autoridades, Moraes manda prender contador e leva o caso diretamente ao núcleo do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, anunciada no sábado (22/03), atinge Washington Travassos de Azevedo, apontado como elo na obtenção de informações sigilosas.
Além disso, o STF informa que o investigado participou de um esquema que acessou dados de 1.819 contribuintes entre 8 de janeiro de 2024 e 27 de janeiro de 2026. Entre os atingidos estão integrantes do Judiciário, do Congresso e de órgãos de controle. Portanto, o volume e o período indicam atuação contínua.
Moraes manda prender contador
Alexandre de Moraes determinou a prisão com base em pedido da Polícia Federal (PF) e parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em seguida, a PF executou a ordem em 14 de março de 2026. No mesmo dia, ocorreu a audiência de custódia, que manteve a decisão.
Antes disso, a PF realizou buscas em 5 de março, dentro da operação Dataleaks. Ao todo, os agentes cumpriram 4 mandados de busca e apreensão e executaram 5 prisões temporárias na fase inicial. Dessa forma, a investigação já apontava para uma atuação coordenada.
Segundo a apuração, Azevedo atuou como intermediário. Ele conectava interessados nos dados a pessoas com acesso a sistemas da Receita Federal. Assim, o modelo indica divisão clara de funções dentro da estrutura.
Além disso, o STF afirma que o investigado atuou como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional”. O grupo acessou declarações de Imposto de Renda (DIRPF) e realizou downloads para uso fora do sistema oficial.
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Prisão de contador no STF
O caso envolve autoridades de alto escalão. Entre os atingidos estão ministros do STF, integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU), deputados, ex-senadores, um ex-governador e empresários. Além disso, familiares de ministros também aparecem entre os alvos, segundo apuração jornalística.
A Receita Federal reconheceu acessos indevidos. Em nota, o órgão afirmou que não tolera violações ao sigilo fiscal, base do sistema tributário. Enquanto isso, as investigações seguem para identificar a extensão do esquema e possíveis responsabilidades internas.
O sistema prisional do Rio registrou a entrada do investigado em 13 de março. Depois, as autoridades transferiram Azevedo para o Complexo de Gericinó após 19 de março, com a abertura de vagas.