O primeiro depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) deve ocorrer nesta semana e marca o início formal da colaboração do ex-banqueiro no caso que investiga fraudes bilionárias no Banco Master. A oitiva ocorre após a assinatura de um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Além disso, o movimento ocorre após a manutenção da prisão preventiva no início de março de 2026 e a transferência, em 19/03, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF. Desde então, a defesa intensificou contatos, com visitas do advogado Sérgio Leonardo nos dias 20, 21 e 22/03, incluindo três encontros em um único dia.
Primeiro depoimento de Vorcaro e estrutura financeira sob análise
O primeiro depoimento de Vorcaro tende a detalhar operações que envolvem valores expressivos e contratos de grande porte. Entre os pontos sob análise estão um contrato de R$ 129 milhões e um aporte de R$ 35 milhões em um empreendimento citado na investigação.
Além disso, investigadores avaliam o modelo de negócios do Banco Master, que operava com crédito consignado em larga escala. O produto Credcesta, por exemplo, alcançou cerca de 250 mil cartões e aplicava juros de 6% ao mês, padrão que levanta questionamentos sobre a sustentabilidade da operação.
Outro eixo envolve possíveis pagamentos recorrentes, como a menção a repasses de R$ 1 milhão mensais, além de transações financeiras que conectam empresas privadas e agentes com influência institucional. Esses pontos ainda dependem de comprovação formal.
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Oitiva inicial de Vorcaro e conexões em apuração
O avanço do primeiro depoimento de Vorcaro também pode ampliar o alcance da investigação para além do setor bancário. Há referências a relações com agentes políticos e menções a contratos e repasses que exigem verificação documental.
Nesse contexto, um caso citado envolve uma empresa com capital de R$ 100 mil que teria recebido R$ 250 mil, conforme dados do COAF apresentados em investigações paralelas. Já em outro ponto, aparece a menção a valores ligados a operações anteriores, como R$ 3 milhões associados a Aldemir Bendine no âmbito da Lava Jato.
A condução do processo está sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo declaração pública do magistrado, é necessário que investigações avancem com base em princípios éticos e responsabilidade institucional.
Além disso, a análise inclui registros digitais, como mensagens apagadas e comunicações que podem indicar relações fora de canais formais. Esses elementos devem ser confrontados com os depoimentos prestados.
O primeiro depoimento de Vorcaro ocorre, portanto, em um momento em que a investigação já reúne dados financeiros, registros e conexões que podem redefinir o escopo do caso. A expectativa, segundo investigadores, é que a colaboração permita consolidar ou refinar linhas de apuração em curso.
Declaração inicial de Vorcaro e leitura do caso
A partir do início da colaboração, o caso passa a indicar uma possível mudança de escala. Se confirmados, os fluxos financeiros e contratos citados sugerem uso estruturado de capital para construção de relações institucionais.
Nesse cenário, o primeiro depoimento de Vorcaro deixa de ser apenas uma etapa processual e passa a atuar como ponto de reorganização da investigação. O que vier a ser confirmado pode influenciar tanto o ambiente regulatório quanto a percepção de risco no sistema financeiro.