O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), desiste da pré-candidatura à Presidência da República nesta segunda-feira (23/03), mesmo sendo o nome mais competitivo do partido nas pesquisas. A decisão, segundo comunicado oficial, foi motivada por uma “reflexão com a família” e pelo compromisso de concluir o mandato até 2026.
Ratinho liderava internamente o PSD e aparecia com 7% das intenções de voto na pesquisa Quaest, à frente de Ronaldo Caiado (4%) e Eduardo Leite (3%). Ainda assim, enfrentava um limite claro: a dificuldade de romper a polarização nacional.
No segundo turno, por exemplo, aparecia com 33%, nove pontos atrás de Lula (42%). Contra os outros nomes do partido, a diferença era ainda maior, indicando que, embora competitivo, não se consolidava como alternativa real de vitória.
Ratinho Júnior desiste de candidatura: o cálculo político por trás da decisão
A decisão de Ratinho Júnior combina três fatores centrais:
- Baixa viabilidade eleitoral real: apesar do bom desempenho inicial, os números indicavam teto limitado diante da polarização nacional;
- Pressão política indireta: aliados do PL, como Rogério Marinho, já haviam pedido que ele abrisse mão da candidatura para apoiar outro nome da direita;
- Risco de desgaste sem retorno: disputar a Presidência poderia comprometer seu capital político sem garantia de crescimento nacional.
Na prática, seguir na disputa significava entrar em uma eleição com alta exposição e baixo potencial de vitória.
Além disso, havia um fator técnico decisivo: para concorrer, Ratinho teria que deixar o governo até abril. Isso implicaria abrir mão de um mandato com 85% de aprovação, considerado um dos principais ativos da sua carreira.
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Ao optar por ficar no governo até o fim, Ratinho preserva dois ativos importantes:
- Controle político do Paraná, incluindo a sucessão estadual;
- Imagem de gestor bem avaliado, sem desgaste de uma campanha nacional.
O movimento também evita um cenário de derrota que poderia enfraquecê-lo para disputas futuras. Mesmo fora da corrida presidencial, ele segue relevante dentro do PSD e pode atuar como articulador nacional ou até voltar ao debate eleitoral em outro momento.
O que muda no cenário político?
Ratinho Júnior desiste da candidatura e reorganiza a disputa dentro do PSD e fora dele. No partido, a decisão abre espaço para:
- Eduardo Leite
- Ronaldo Caiado
Já no campo da direita, o movimento facilita a consolidação de outras candidaturas, especialmente após a aproximação com aliados do PL.
No Paraná, o impacto também é direto. Sem um sucessor definido, a disputa estadual segue aberta, com nomes como Alexandre Curi e Guto Silva no PSD, além da possível candidatura de Sergio Moro pelo PL.