Uma trégua na guerra entre Estados Unidos e Irã foi anunciada nesta segunda-feira (23/03) pelo presidente Donald Trump. Ele determinou a suspensão, por cinco dias, de ataques contra a infraestrutura energética iraniana. A decisão veio após dois dias de negociações diretas entre os países. Assim, interrompe temporariamente uma escalada marcada por ameaças e prazos para ofensivas.
O anúncio ocorre após um ultimato dado no sábado (21/03). Na ocasião, Trump afirmou que poderia “obliterar” a capacidade energética do Irã caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto em até 48 horas. O prazo terminaria às 20h44 desta segunda-feira. Portanto, a trégua surge como resposta imediata ao avanço das conversas diplomáticas.
Trégua na guerra
Segundo Trump, a suspensão foi motivada por “conversas muito boas e produtivas”. As reuniões ocorreram nos últimos dois dias. Além disso, o presidente afirmou que há discussão sobre uma “resolução completa e total” das hostilidades no Oriente Médio. Ele também indicou que os diálogos continuarão ao longo da semana.

A ordem enviada ao Departamento de Defesa determina o adiamento de ataques contra usinas e infraestrutura energética do Irã por cinco dias. No entanto, o prazo depende do sucesso das negociações. Dessa forma, a medida não encerra o confronto. Trata-se de uma pausa condicionada ao andamento das conversas.
Antes dessa decisão, o conflito já durava mais de três semanas. Ele começou em 28 de fevereiro de 2026. Nesse período, a tensão aumentou após reações do Irã a ataques dos EUA e de Israel. Entre essas respostas, está o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para energia global.
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Cessar-fogo no conflito
Em resposta ao ultimato, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que poderia fechar completamente o estreito. Além disso, indicou possibilidade de ampliar ataques contra infraestrutura energética, redes de comunicação e ativos ligados aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o Parlamento iraniano declarou que estruturas energéticas do Oriente Médio podem se tornar “alvos legítimos”.
O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% a 25% do petróleo global. Por isso, qualquer bloqueio tem impacto direto no mercado. Além da energia, há risco sobre o abastecimento de água. Países do Golfo dependem de dessalinização — Kuwait (90%), Omã (86%), Israel (75%) e Arábia Saudita (70%). Ao todo, cerca de 100 milhões de pessoas dependem dessas estruturas.
Há efeitos concretos. Na ilha de Qeshm, no Irã, um ataque deixou 30 vilarejos sem água. Paralelamente, o país lançou um míssil com alcance de 4.000 km, segundo avaliação israelense. Esse alcance inclui partes da Europa, Ásia e África, ampliando a dimensão do conflito.