Em meio ao esforço para cumprir o arcabouço fiscal, o Governo bloqueia orçamento de 2026 nesta terça-feira (24/03) e congela R$ 1,6 bilhão das despesas públicas. A decisão ocorre após a revisão das contas apontar avanço dos gastos obrigatórios e redução da margem para atingir a meta de superávit.
Ao analisar os dados, o quadro fiscal mostra perda de fôlego ao longo do ano. A projeção de superávit caiu de R$ 34,9 bilhões para R$ 3,5 bilhões após abatimentos de R$ 63,4 bilhões. Sem essas deduções, o resultado indicaria déficit de R$ 59,8 bilhões. Assim, os números reforçam a dependência de ajustes para manter o saldo positivo.
Governo bloqueia orçamento de 2026 e pressão fiscal
O governo acionou o bloqueio porque as despesas obrigatórias ultrapassaram o limite do arcabouço fiscal. No primeiro bimestre, os gastos sujeitos ao teto atingiram R$ 2,394 trilhões, acima do limite de R$ 2,392 trilhões. Por isso, a equipe econômica restringiu despesas discricionárias, que incluem investimentos e custeio da máquina pública.
Além disso, o avanço das despesas reforça a rigidez do orçamento. O total das despesas primárias subiu R$ 23,3 bilhões e chegou a R$ 2,636 trilhões. Desse aumento, R$ 18,9 bilhões vieram de gastos obrigatórios. Nesse grupo, o Benefício de Prestação Continuada cresceu R$ 1,9 bilhão, enquanto o Programa Nacional de Alimentação Escolar avançou R$ 1,4 bilhão.
Corte de gastos federais e impacto no resultado
Enquanto as despesas avançam, a arrecadação recua. A receita total caiu R$ 600 milhões, para R$ 3,197 trilhões. Ao mesmo tempo, a receita líquida diminuiu R$ 13,7 bilhões, para R$ 2,576 trilhões. Ainda assim, o aumento de R$ 16,7 bilhões nas receitas com exploração de recursos naturais, impulsionado pelo petróleo, compensou parte dessas perdas.
Mesmo assim, o Governo bloqueia orçamento de 2026 em valor inferior ao esperado pelo mercado financeiro, que projetava cortes próximos de R$ 10 bilhões. Na avaliação de analistas, essa diferença indica uma estratégia de ajuste mais limitada diante do avanço das despesas obrigatórias.
O governo divulgará o detalhamento dos bloqueios por órgão em 30 de março. Em seguida, os ministérios terão até cinco dias úteis após a publicação para indicar quais programações serão afetadas. Até lá, áreas como universidades, agências reguladoras e fiscalização podem sofrer restrições.
No histórico recente das contas públicas, o padrão se repete. Em 2025, o déficit chegou a R$ 61 bilhões. Depois disso, exclusões no cálculo reduziram o valor para R$ 13 bilhões. Agora, com meta de superávit de 0,25% do PIB em 2026, o Governo bloqueia orçamento de 2026 reforça a dificuldade de cumprir o objetivo sem recorrer a abatimentos relevantes.
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Ajuste fiscal e trajetória das contas públicas
A trajetória fiscal prevista aponta superávits maiores nos próximos anos — 0,50% do PIB em 2027 e 1% em 2028. No entanto, o comportamento das despesas obrigatórias e a queda na projeção de resultado indicam riscos para esse caminho.
Diante desse quadro, o Governo bloqueia orçamento de 2026 sinaliza redução do espaço para investimentos. Além disso, o equilíbrio fiscal passa a depender mais de receitas voláteis e ajustes contábeis. Por fim, esse cenário levanta dúvidas sobre a consistência da trajetória de superávits nos próximos anos.