Vírus Oropouche no Brasil avança e já pode atingir milhões sem registro

O vírus Oropouche no Brasil pode já ter infectado milhões sem registro oficial. Estudos indicam subnotificação elevada e expansão nacional da doença.
Mosquitos maruim transmissores do vírus Oropouche no Brasil vistos em microscópio - Foto: Bruna Lais Sena do Nascimento/Laboratório de Entomologia Médica/SEARB/IEC
Mosquitos do tipo maruim (Culicoides paraensis), principais transmissores do vírus Oropouche no Brasil - Foto: Bruna Lais Sena do Nascimento/Laboratório de Entomologia Médica/SEARB/IEC

O vírus Oropouche no Brasil já pode ter infectado até 2% da população, segundo estudos divulgados nesta terça-feira (24/03), indicando um volume de casos muito superior ao registrado oficialmente. A estimativa aponta que, para cada caso confirmado, até 200 infecções podem ter ocorrido sem notificação.

Além disso, os dados mostram que a doença deixou de ser restrita à Região Norte e passou a circular em escala nacional. Entre 1960 e 2025, foram 9,4 milhões de infecções na América Latina e Caribe, sendo 5,5 milhões apenas no Brasil, conforme levantamento de universidades como USP, Unicamp e University of Kentucky.

Vírus Oropouche no Brasil e a subnotificação

A principal distorção está na capacidade de detecção. Embora mais de 30 mil casos tenham sido registrados nesta década, os pesquisadores indicam que a circulação real do vírus é muito maior, sobretudo em áreas com acesso limitado à saúde. Segundo William M. de Souza, da University of Kentucky, há uma “circulação silenciosa” impulsionada por diagnósticos insuficientes.

Por outro lado, a expansão também se explica pela dinâmica territorial. Manaus, com cerca de 2 milhões de habitantes, atua como ponto de dispersão. Entre o fim de 2023 e meados de 2024, a proporção de pessoas com anticorpos contra o vírus saltou de 11,4% para 25,7%, indicando rápida disseminação.

Avanço do Oropouche no país

Esse avanço do vírus Oropouche no Brasil acompanha padrões históricos. Em surtos anteriores, como entre 1980 e 1981, a taxa de infecção chegou a 12,5% a 15% da população local. Já no ciclo mais recente, cerca de 14% da população de Manaus foi infectada em apenas cinco a seis meses.

Além disso, a transmissão mantém forte ligação com fatores ambientais. O vetor, o mosquito maruim (Culicoides paraensis), se reproduz em áreas de solo úmido e matéria orgânica, comuns em regiões rurais e periurbanas. Segundo José Luiz Proença Modena, da Unicamp, a sazonalidade coincide com o período chuvoso, entre dezembro e abril.

Enquanto isso, o avanço territorial também reflete mudanças ambientais. Pesquisadores associam o desmatamento ao aumento do contato entre humanos e vírus de origem silvestre, o que facilita a disseminação para novas áreas e populações.

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Vírus Oropouche no Brasil e desafios de controle

Outro ponto de atenção é que o vírus Oropouche no Brasil não segue o mesmo padrão de outras arboviroses, como dengue. Diferentemente do Aedes aegypti, o vetor predominante está em ambientes rurais, o que limita a eficácia das estratégias tradicionais de controle.

Além disso, a ausência de vacina ou antivirais específicos amplia o desafio sanitário. Casos graves, embora menos frequentes, podem evoluir para complicações neurológicas, problemas materno-fetais e morte, o que reforça a necessidade de vigilância mais precisa.

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Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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