Em desdobramento das investigações do caso Master, Vorcaro é transferido para a mesma sala onde Jair Bolsonaro ficou preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, na segunda-feira (23/03), após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança ocorre após pedido da defesa e altera o local de custódia dentro da própria PF.
Até então, Daniel Vorcaro permanecia na carceragem da corporação desde 19 de março, após deixar a Penitenciária Federal de Brasília. Ele ocupava uma cela de cerca de 5 metros por 3 metros. O espaço tinha cama de concreto, colchão hospitalar e uma mureta que separava parcialmente o vaso sanitário. Por isso, a defesa alegou inadequação e pediu a transferência.
Vorcaro é transferido
Com a decisão, a PF coloca o empresário em uma sala de Estado-Maior, estrutura reservada a autoridades. O ambiente inclui cama, banheiro privativo, ar-condicionado, mesa e janela. Dessa forma, o padrão de custódia muda dentro da própria corporação.
Além disso, o local ganhou notoriedade porque abrigou Jair Bolsonaro em novembro do ano passado. Naquele período, a PF manteve o ex-presidente detido no espaço, que contava também com televisão e frigobar.
Agora, a mudança recoloca essa sala no noticiário. O espaço volta ao debate ao abrigar outro investigado de alto perfil, ainda que em contexto jurídico distinto.
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Transferência de Vorcaro na PF
Como já mostrado anteriormente, Vorcaro foi preso no início de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de crimes financeiros, pagamentos indevidos a agentes públicos e a suposta estruturação de monitoramento de autoridades e jornalistas.
Antes de chegar à Superintendência da PF, o ex-banqueiro passou por diferentes unidades prisionais. Em 6 de março, ele saiu de São Paulo para Brasília. Lá, permaneceu em unidade com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo Marcola.
Vorcaro é transferido enquanto negocia um possível acordo de delação premiada. O processo tramita sob sigilo no STF. Além disso, o advogado Sérgio Leonardo visitou o cliente pelo quarto dia consecutivo e permaneceu cerca de uma hora na PF.