Defesa critica domiciliar temporária e questiona prazo imposto a Bolsonaro

A domiciliar temporária de Bolsonaro é contestada pela defesa, que critica o prazo de 90 dias e aponta necessidade de cuidados permanentes.
Defesa critica domiciliar temporária de Bolsonaro após decisão do STF - Foto: Andressa Anholete / Senado
Advogados de Bolsonaro contestam prazo de 90 dias da domiciliar temporária definido pelo STF - Foto: Andressa Anholete / Senado

A domiciliar temporária concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira (24/03) passou a ser questionada pela defesa, já que o prazo de 90 dias é considerado incompatível com o quadro clínico apresentado.

O advogado Paulo Cunha Bueno afirmou que a medida, embora represente um avanço em relação à prisão em unidade policial, não atende às necessidades médicas do ex-presidente. Segundo ele, a condição exige cuidados contínuos, sem que haja limitação temporal.

Bolsonaro está internado desde 13 de março no hospital DF Star, em Brasília, após diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral. Além disso, a equipe médica apontou gravidade no quadro, com risco de morte, conforme relatado pela defesa.

Prisão domiciliar provisória entra no centro do debate jurídico

A crítica se concentra na prisão domiciliar provisória, definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com base em estimativa de recuperação entre 45 e 90 dias. No entanto, para a defesa, esse critério ignora a natureza prolongada das condições clínicas.

Bueno classificou a decisão como “inovadora” e destacou que a necessidade de cuidados não se encerra com a alta hospitalar. Ou seja, em sua avaliação, a medida cria uma limitação que não dialoga com a realidade médica do paciente.

Além disso, a defesa citou o caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Segundo o advogado, o STF concedeu domiciliar em situação menos grave, o que indicaria falta de uniformidade na aplicação do entendimento.

Domiciliar temporária intensifica reação política

A domiciliar temporária também gerou reação no núcleo político ligado ao ex-presidente. Por um lado, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão representa um “primeiro passo para fazer Justiça”. Por outro, criticou a fixação de prazo.

Ele questionou a lógica da medida ao apontar que, se a saúde melhora fora do sistema prisional, então não haveria sentido em determinar retorno ao ambiente anterior após o período estipulado.

Além disso, o parlamentar classificou a decisão como “exótica” e afirmou que a modalidade, com prazo definido, não encontra previsão direta na legislação vigente.

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Medida domiciliar limitada expõe tensão entre critérios médicos e decisão judicial

O ministro Alexandre de Moraes autorizou a domiciliar por 90 dias, com início a partir da alta hospitalar. Ainda assim, o período poderá ser reavaliado ao final, com base em nova análise médica.

A decisão também impôs restrições rigorosas. Bolsonaro deverá usar tornozeleira eletrônica, não poderá utilizar celular ou redes sociais e terá visitas limitadas a dias e horários específicos.

Segundo Moraes, um ambiente controlado reduz riscos de infecção, incluindo sepse. Dessa forma, a domiciliar temporária passa a concentrar o debate sobre até que ponto um prazo fixo pode ser aplicado a quadros clínicos apontados como permanentes.

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Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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