Meta e Google foram condenadas: decisão pode mudar regras das redes

Meta e Google foram condenadas por vício em redes sociais nos EUA, ampliando o risco jurídico e pressionando mudanças no modelo das plataformas digitais.
Ícones do Google e da Meta em smartphone após condenação por redes sociais - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Decisão nos EUA responsabiliza Meta e Google pelo design de plataformas digitais - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Meta e Google foram condenadas nesta quarta-feira (25/03) por um júri de Los Angeles, em uma decisão que muda o entendimento jurídico sobre plataformas digitais ao responsabilizar diretamente o design dos aplicativos por danos a usuários. O veredicto fixou indenização de US$ 3 milhões (R$ 15,7 milhões).

O julgamento durou nove dias e concluiu que a Meta Platforms Inc. e o Google LLC estruturaram mecanismos que incentivam uso compulsivo. A autora, hoje com 20 anos, afirmou que desenvolveu dependência ainda na adolescência, com efeitos como ansiedade, depressão e pensamentos suicidas.

O caso muda o foco das disputas judiciais. Em vez de discutir conteúdos publicados por usuários, os advogados direcionaram a ação para o funcionamento das plataformas. Recursos como rolagem infinita, notificações push e sistemas de curtidas passaram a ser tratados como indutores de permanência prolongada.

Além disso, o júri dividiu a responsabilidade entre as empresas. A Meta responderá por 70% dos danos, com US$ 2,1 milhões, enquanto o Google arcará com 30%, equivalente a US$ 900 mil. A juíza Carolyn Kuhl ainda avalia a aplicação de danos punitivos adicionais.

Documentos internos apresentados no processo reforçam esse entendimento. Registros entre 2013 e 2022 mostram que aumentar o tempo de uso fazia parte da estratégia corporativa, inclusive entre adolescentes. Em um e-mail, um pesquisador descreveu o Instagram como “uma droga”.

Leia também:

Condenação de plataformas digitais e efeito sistêmico

O caso se soma a uma pressão crescente sobre o setor. No Novo México, um júri condenou a Meta a pagar US$ 375 milhões por falhas na proteção de crianças. Ao mesmo tempo, pelo menos 20 estados americanos aprovaram leis voltadas ao uso de redes sociais por menores.

Além disso, a decisão tende a influenciar milhares de ações judiciais em andamento. Pais, distritos escolares e autoridades estaduais já movem processos semelhantes. Um julgamento federal deve ocorrer ainda em 2026, em Oakland, enquanto outro processo estadual começa em julho, em Los Angeles.

A Meta afirmou que “discorda respeitosamente do veredito” e avalia medidas legais. Ainda assim, o cenário aponta para aumento do risco jurídico. Atualmente, mais de 50% dos adolescentes dos Estados Unidos utilizam YouTube ou Instagram diariamente, segundo o Pew Research Center.

No cenário internacional, países como Espanha e Austrália já restringiram o acesso de menores às redes sociais. Reino Unido e França discutem propostas semelhantes, enquanto a União Europeia investiga os efeitos dessas plataformas no bem-estar dos usuários.

Foto de Jussier Lucas

Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

Veja também

Mais lidas