A operação fallax, deflagrada nesta quarta-feira (25/03), coloca no alvo o CEO do Grupo Fictor, Rafael Góis, e investiga fraudes bancárias que podem ultrapassar R$ 500 milhões, segundo a Polícia Federal. Além disso, a ação ocorre em três estados — São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia — e atinge diretamente uma empresa que, meses antes, negociava a compra do Banco Master com aporte de R$ 3 bilhões.
Ao mesmo tempo, a PF cumpre 43 mandados de busca e apreensão e executa 21 prisões preventivas. Até 08h20, os agentes já haviam prendido ao menos 13 pessoas. Nesse sentido, a investigação aponta um esquema estruturado contra a Caixa Econômica Federal, que usava dados falsos para viabilizar transferências indevidas.

Operação fallax e o funcionamento da fraude bancária
Segundo a Polícia Federal, o grupo cooptava funcionários de instituições financeiras. Assim, esses agentes inseriam informações falsas nos sistemas bancários e viabilizavam saques e transferências irregulares.
Além disso, o esquema utilizava empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos. Em seguida, convertia os valores em criptoativos e bens de luxo, dificultando o rastreamento. Ao mesmo tempo, a PF afirma que integrantes do Comando Vermelho também utilizaram estrutura semelhante.

Por outro lado, a Justiça Federal de São Paulo determinou o bloqueio de bens até R$ 47 milhões e autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 jurídicas. Dessa forma, as medidas buscam interromper o fluxo financeiro investigado. Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de prisão.
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Investigação da PF sobre a operação fallax amplia crise da Fictor
O avanço da operação fallax ocorre após uma sequência de eventos que fragilizou o Grupo Fictor. Em 17 de novembro, a empresa anunciou a compra do Banco Master com investidores estrangeiros e aporte de R$ 3 bilhões.
No entanto, poucas horas depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição ligada a Daniel Vorcaro. A partir desse ponto, investidores passaram a resgatar cerca de R$ 2 bilhões, o que pressionou diretamente a liquidez do grupo.

Como consequência, as empresas Fictor Holding e Fictor Invest entraram em recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 4,2 bilhões. Além disso, o grupo rompeu com sua assessoria de comunicação e não apresentou posicionamento público recente.
No penúltimo desdobramento, a operação fallax conecta a crise financeira ao avanço das investigações criminais. Assim, esse encadeamento mostra que a deterioração não se limitou à reputação e passou a envolver suspeitas estruturais.