A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (25/03), a Operação Fallax para investigar um esquema de fraudes bancárias que, segundo as autoridades, pode ter causado prejuízos superiores a R$ 500 milhões. De acordo com a PF, a estrutura criminosa envolvia a cooptação de funcionários de instituições financeiras, uso de empresas e mecanismos para ocultação de recursos.
A Justiça Federal autorizou o cumprimento de 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Também foi determinado o bloqueio de bens e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões.
Além das medidas já cumpridas, a Justiça também autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 jurídicas, segundo a Polícia Federal. Até o início da manhã desta quarta, ao menos 13 pessoas haviam sido presas, conforme informações divulgadas pelas autoridades.
Como funcionava o esquema na Operação Fallax, segundo a PF
De acordo com as investigações, o grupo atuava a partir do acesso a sistemas internos de instituições financeiras. A Polícia Federal aponta que funcionários teriam sido cooptados para inserir dados falsos ou alterar informações com o objetivo de viabilizar operações irregulares.
Segundo a PF, entre as práticas identificadas estão:
- Liberação indevida de valores;
- Realização de saques irregulares;
- Transferências não autorizadas.
A investigação indica que essas ações permitiam a movimentação de recursos sem detecção imediata pelos mecanismos de controle. Após a obtenção dos valores, o grupo, ainda segundo a PF, iniciava a etapa de ocultação dos recursos.
Empresas e criptoativos na ocultação dos valores
A Polícia Federal afirma que a organização utilizava empresas, incluindo estruturas consideradas de fachada, para dissimular a origem dos recursos.
De acordo com os investigadores, os valores eram:
- Transferidos entre empresas ligadas ao grupo;
- Convertidos em bens, como veículos e imóveis;
- Transformados em criptoativos.
Segundo a PF, o uso de criptomoedas teria como objetivo dificultar o rastreamento das operações. A investigação também aponta 172 pessoas jurídicas como alvo de medidas de rastreamento financeiro.
Alcance do caso e instituições citadas
A Caixa Econômica Federal aparece como principal instituição afetada na investigação. Segundo apuração citada pela CNN Brasil, outras instituições financeiras também podem ter sido impactadas.
Entre os bancos mencionados na apuração estão:
- Banco do Brasil;
- Bradesco;
- Santander;
- Safra.
Empresários citados na investigação da Operação Fallax
Entre os alvos de mandados de busca estão o empresário Rafael Góis, CEO e fundador do Grupo Fictor, e Luiz Rubini, ex-sócio da empresa.
De acordo com informações obtidas pela CNN Brasil, os dois são investigados no contexto da operação. Delegados ouvidos pela reportagem afirmaram que o Grupo Fictor, como empresa, não é alvo direto da ação, mas que empresários ligados ao grupo aparecem entre os investigados.
A reportagem informa ainda que tentou contato com as defesas dos citados e com a assessoria do grupo, sem retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestações.
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Crimes investigados e possíveis penas
De acordo com a PF, os investigados podem responder por:
- Organização criminosa;
- Estelionato qualificado;
- Lavagem de dinheiro;
- Gestão fraudulenta;
- Corrupção ativa e passiva;
- Crimes contra o sistema financeiro nacional.
Segundo a legislação, as penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão, caso haja condenação.
O que está em apuração?
A investigação segue em andamento. A Polícia Federal afirma que trabalha para identificar todos os envolvidos, mapear o fluxo dos recursos e aprofundar a análise das estruturas utilizadas para movimentação e ocultação de valores.
Segundo os investigadores, o caso envolve um esquema estruturado, com múltiplas frentes de atuação e uso de diferentes instrumentos financeiros.