No contexto do caso Henry Borel, ainda sem julgamento concluído, Monique Medeiros, mãe do menino, perdeu o cargo de professora na Prefeitura do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (25/03). A administração publicou o ato no Diário Oficial poucos dias depois de ela deixar a prisão. Assim, a decisão administrativa ocorre antes do júri, marcado agora para 25 de maio.
O prefeito Eduardo Cavaliere assinou a exoneração, que já passou a valer imediatamente. Até então, Monique Medeiros seguia vinculada à rede municipal de ensino, embora estivesse afastada. Em fevereiro deste ano, ela recebia salário bruto de R$ 5.036,74 e valor líquido de R$ 2.887,73 após descontos.
Monique Medeiros é demitida antes do julgamento e após soltura
A Prefeitura tomou a decisão em meio à repercussão do caso. Segundo o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, a medida busca preservar o ambiente escolar. Ele afirmou que a presença da servidora gerava desconforto na comunidade.
Ao mesmo tempo, a defesa informou que ainda não analisou integralmente o ato administrativo e avalia recorrer. Os advogados argumentam que a ausência de julgamento definitivo deveria impedir uma sanção dessa natureza.
Além disso, a Justiça determinou a soltura de Monique Medeiros na noite de segunda-feira (23/03). A juíza Elizabeth Machado Louro, do 2º Tribunal do Júri, aceitou o argumento de possível excesso de prazo após o adiamento do julgamento.
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Adiamento do júri e estratégia da defesa mudam rumo do caso
A defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, provocou o adiamento. Os advogados alegaram falta de acesso às provas. Como a juíza negou o pedido, os cinco defensores abandonaram o plenário. Com isso, o tribunal suspendeu a sessão e remarcou o júri para 25 de maio.
Esse movimento alterou o andamento do caso e afetou diretamente a situação de Monique Medeiros, que deixou a penitenciária Talavera Bruce após a decisão judicial. Em resposta, o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou recurso contra a soltura e mantém a expectativa de condenação dos réus.
O caso começou na madrugada de 8 de março de 2021, quando Henry Borel, de 4 anos, morreu no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca. Inicialmente, o casal alegou acidente doméstico. No entanto, o laudo do Instituto Médico-Legal apontou 23 lesões provocadas por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna.
As investigações da Polícia Civil indicaram agressões recorrentes. Em fevereiro de 2021, os investigadores registraram três episódios de violência. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Jairinho responde por homicídio qualificado. Já Monique Medeiros responde por omissão, por não agir diante das agressões.
Por fim, a demissão de Monique Medeiros antecipa efeitos administrativos em um processo ainda em andamento. Dessa forma, o caso indica que decisões institucionais podem avançar antes da conclusão judicial, o que pressiona os limites entre presunção de inocência e gestão pública.