Mãe de Henry Borel é demitida após deixar a prisão e antes do júri

Monique Medeiros foi demitida pela prefeitura do Rio após sair da prisão antes do julgamento, antecipando efeitos administrativos em um processo ainda em curso.
Julgamento do caso Henry Borel com Monique Medeiros no tribunal do Rio - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Monique Medeiros participa de audiência no caso Henry Borel, que segue sem julgamento definitivo - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

No contexto do caso Henry Borel, ainda sem julgamento concluído, Monique Medeiros, mãe do menino, perdeu o cargo de professora na Prefeitura do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (25/03). A administração publicou o ato no Diário Oficial poucos dias depois de ela deixar a prisão. Assim, a decisão administrativa ocorre antes do júri, marcado agora para 25 de maio.

O prefeito Eduardo Cavaliere assinou a exoneração, que já passou a valer imediatamente. Até então, Monique Medeiros seguia vinculada à rede municipal de ensino, embora estivesse afastada. Em fevereiro deste ano, ela recebia salário bruto de R$ 5.036,74 e valor líquido de R$ 2.887,73 após descontos.

Monique Medeiros é demitida antes do julgamento e após soltura

A Prefeitura tomou a decisão em meio à repercussão do caso. Segundo o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, a medida busca preservar o ambiente escolar. Ele afirmou que a presença da servidora gerava desconforto na comunidade.

Ao mesmo tempo, a defesa informou que ainda não analisou integralmente o ato administrativo e avalia recorrer. Os advogados argumentam que a ausência de julgamento definitivo deveria impedir uma sanção dessa natureza.

Além disso, a Justiça determinou a soltura de Monique Medeiros na noite de segunda-feira (23/03). A juíza Elizabeth Machado Louro, do 2º Tribunal do Júri, aceitou o argumento de possível excesso de prazo após o adiamento do julgamento.

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Adiamento do júri e estratégia da defesa mudam rumo do caso

A defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, provocou o adiamento. Os advogados alegaram falta de acesso às provas. Como a juíza negou o pedido, os cinco defensores abandonaram o plenário. Com isso, o tribunal suspendeu a sessão e remarcou o júri para 25 de maio.

Esse movimento alterou o andamento do caso e afetou diretamente a situação de Monique Medeiros, que deixou a penitenciária Talavera Bruce após a decisão judicial. Em resposta, o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou recurso contra a soltura e mantém a expectativa de condenação dos réus.

O caso começou na madrugada de 8 de março de 2021, quando Henry Borel, de 4 anos, morreu no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca. Inicialmente, o casal alegou acidente doméstico. No entanto, o laudo do Instituto Médico-Legal apontou 23 lesões provocadas por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna.

As investigações da Polícia Civil indicaram agressões recorrentes. Em fevereiro de 2021, os investigadores registraram três episódios de violência. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Jairinho responde por homicídio qualificado. Já Monique Medeiros responde por omissão, por não agir diante das agressões.

Por fim, a demissão de Monique Medeiros antecipa efeitos administrativos em um processo ainda em andamento. Dessa forma, o caso indica que decisões institucionais podem avançar antes da conclusão judicial, o que pressiona os limites entre presunção de inocência e gestão pública.

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Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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