O STF (Supremo Tribunal Federal) retoma nesta quarta-feira (25/03) o julgamento sobre os chamados “penduricalhos” no serviço público, em uma análise que envolve pagamentos extras que permitem que salários ultrapassem o teto constitucional.
O plenário avalia decisões individuais dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes que suspenderam o pagamento de benefícios considerados irregulares. As medidas também proibiram a criação de novas vantagens fora do que está previsto em lei.
Pela Constituição, nenhum agente público pode receber acima do salário de um ministro do STF, atualmente fixado em R$ 46.366,19. No entanto, verbas classificadas como indenizatórias, como auxílios e diárias, ficam fora desse limite, o que abre espaço para pagamentos adicionais.
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O julgamento ocorre com base em um relatório elaborado por uma comissão técnica formada por representantes dos três Poderes. O grupo sugeriu o uso das regras do Imposto de Renda como parâmetro para definir quais verbas podem ser consideradas indenizatórias.
A proposta busca criar critérios mais claros para diferenciar remuneração, sujeita ao teto, de indenizações legítimas, que não entram no limite constitucional. Segundo a avaliação técnica, a ausência de regras uniformes ao longo dos anos permitiu a ampliação desses pagamentos.
Dados analisados pela comissão indicam que os valores pagos acima do teto somam bilhões de reais por ano:
- Magistratura: cerca de R$ 9,8 bilhões anuais;
- Ministério Público: aproximadamente R$ 7,2 bilhões.
O relatório aponta que esse modelo pressiona o orçamento público e pode reduzir a margem para investimentos em outras áreas.
O que o STF analisa e o que pode mudar no julgamento sobre os “penduricalhos”
No julgamento, os ministros também analisam regras de transição e possíveis parâmetros para uniformizar os pagamentos. Entre as referências consideradas estão modelos adotados em países como Portugal, Espanha e Alemanha.
Segundo o presidente do STF, ministro Edson Fachin, as decisões individuais foram adotadas diante da ausência de regulamentação específica sobre o tema. Já o ministro Flávio Dino afirmou que o objetivo do debate não é questionar direitos das categorias, mas estabelecer critérios claros.
O relatório técnico destaca ainda que cabe ao Congresso Nacional definir uma solução definitiva, por meio de lei que regulamente de forma uniforme as verbas indenizatórias e os limites remuneratórios no serviço público.
Ao retomar o julgamento, o STF recoloca os “penduricalhos” no centro da discussão e revisa como esses pagamentos funcionam nas regras atuais.