STF retoma julgamento sobre “penduricalhos” no serviço público nesta quarta-feira

STF retoma julgamento sobre penduricalhos no serviço público e analisa pagamentos que permitem salários acima do teto constitucional. Corte avalia regras para limitar verbas indenizatórias e reduzir distorções que geram bilhões em gastos.
Estátua da Justiça em frente ao STF durante julgamento sobre penduricalhos no serviço público
STF retoma julgamento dos penduricalhos que permitem salários acima do teto no serviço público. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O STF (Supremo Tribunal Federal) retoma nesta quarta-feira (25/03) o julgamento sobre os chamados “penduricalhos” no serviço público, em uma análise que envolve pagamentos extras que permitem que salários ultrapassem o teto constitucional.

O plenário avalia decisões individuais dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes que suspenderam o pagamento de benefícios considerados irregulares. As medidas também proibiram a criação de novas vantagens fora do que está previsto em lei.

Pela Constituição, nenhum agente público pode receber acima do salário de um ministro do STF, atualmente fixado em R$ 46.366,19. No entanto, verbas classificadas como indenizatórias, como auxílios e diárias, ficam fora desse limite, o que abre espaço para pagamentos adicionais.

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“Penduricalhos”: o que são os e por que estão em discussão

O julgamento ocorre com base em um relatório elaborado por uma comissão técnica formada por representantes dos três Poderes. O grupo sugeriu o uso das regras do Imposto de Renda como parâmetro para definir quais verbas podem ser consideradas indenizatórias.

A proposta busca criar critérios mais claros para diferenciar remuneração, sujeita ao teto, de indenizações legítimas, que não entram no limite constitucional. Segundo a avaliação técnica, a ausência de regras uniformes ao longo dos anos permitiu a ampliação desses pagamentos.

Dados analisados pela comissão indicam que os valores pagos acima do teto somam bilhões de reais por ano:

  • Magistratura: cerca de R$ 9,8 bilhões anuais;
  • Ministério Público: aproximadamente R$ 7,2 bilhões.

O relatório aponta que esse modelo pressiona o orçamento público e pode reduzir a margem para investimentos em outras áreas.

O que o STF analisa e o que pode mudar no julgamento sobre os “penduricalhos”

No julgamento, os ministros também analisam regras de transição e possíveis parâmetros para uniformizar os pagamentos. Entre as referências consideradas estão modelos adotados em países como Portugal, Espanha e Alemanha.

Segundo o presidente do STF, ministro Edson Fachin, as decisões individuais foram adotadas diante da ausência de regulamentação específica sobre o tema. Já o ministro Flávio Dino afirmou que o objetivo do debate não é questionar direitos das categorias, mas estabelecer critérios claros.

O relatório técnico destaca ainda que cabe ao Congresso Nacional definir uma solução definitiva, por meio de lei que regulamente de forma uniforme as verbas indenizatórias e os limites remuneratórios no serviço público.

Ao retomar o julgamento, o STF recoloca os “penduricalhos” no centro da discussão e revisa como esses pagamentos funcionam nas regras atuais.

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Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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